lá vem o bloco

o surdo a caixa a cuíca

um abraço pra quem fica

é o meu sinal

: debandar

 

não bebo não sambo

não caio no ditirambo

bacanal sarto de banda

bundalelê

não vou lá

 

ô abre alas

que eu quero seguir meu caminho

tô no bloco do eu sozinho

com quem eu amo

e olhe lá 

 

não curto a farra

pra quem se amarra aquele abraço

sai da frente eu sou da lírica

abre alas que eu quero

pensar

 

~;~

 

 

 

Outro poema meu (anti)carnavalesco aqui , pra provar que a indisposição foliã não é de hoje.

 

* The Tempest - W. Shakespeare

 

espantam-me os sonhos pois

sou eu ali e no entanto

em nada

me espanto

 

os enredos bisonhos

as pessoas que mudam

os animais feras

loucas mansões labirintos

de medos emoções

vagas o mar

escuro até o céu

quase sempre encoberto

onde nada é perto e nunca

se volta ao mesmo ponto

de vista e se algo ali

se revela

( )

ao menos não dói depois

mas também não sei mais

daquela que me foi

 

só sei que ao abrir os olhos

como sói quase todo dia

sinto que perco mundos por noite mas a luz

apaga quase todo o filme

vela

 

 

in sensus

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      Thumbnail image for InsenceSmoke4.jpg

 aqui

agora

ascendo

à pura essência

de patchouli

 

medito porém nem sempre

evito

o escândalo

 

recaio no escuro

abraso me

abano te

aceno

sinais

defumos

inspirais

acendo um

sândalo

 

 

 

 

foto: Craig Sadler

 

 

ahhhh

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e vem a chuva

benfazeja

,

cai no chão ferve

espuma

desce

pela calçada

feito cerveja

gelada

.

 

 

 

 

 

os profetas e

os loucos atiram pé

rolas a poucos

 

*ver hexagrama 61 do I Ching (Verdade Interior)

 

 

 

 

a maré dança

com a lua

ora mansa

ora avança

recua

ora cheia

ronda brava joga areia

no ventilador

lava a rua

afoga

ateia fogo

às teias

ao mofo

às ameias

do cafofo

a maré

aguardente

na veia

 

 

 

 

tempos de chumbo:

o vil metal nos funde

no estanho mundo

 

.

 

ando em fase de muda

mud(r)a e quêda

.

bicho-da-seda criando

asa(na)

.

mudando de casa talvez ou não

a-ind(r)a

.

toda muDança é bem

(go)vinda

.

 

 

.

 

Ohm: sobre indianices também temos este outro poema < (da época em que o blog estava sem acento) 

 

 

Eu penso assim, num poema

as palavras têm muitos sentidos, cinco são o mínimo do senso comum.

O cheiro, veja bem, nem sempre é o que se espera: qui_mera suja o pé na primeira pisada em falso.

E o paladar amargura, tem quem use, não faz meu gosto. Na língua prefiro o que arde.

No mais a voz da musa grafa os lótus que afloram do fundo branco dos murmúrios, antes que murchem no próximo suspiro.

Olha que onda, o que eu disse? nada pois, de olhos abertos sob o som pra ver que tudo.

Polir o verbo bem custa e revela um certo tato e conquanto evite a rudeza nem sempre aumenta o brilho, sobretudo quando encera a falta de.

quem muito lapida às vezes quebra o ladrilho

<mosaico móbile tudo que se move colorido e vário encontra contratempo em sentido anti>

horário

Tem outros muitos sentidos, claro, e obscuros. Figurado, por exemplo: um álbum pra cada boa palavra na banca mais próxima.

Duplo sentido, encontram-se a dois. O verdadeiro, a sós.

Sentido fica quem sente dor de si, depois.

> o que teria sido não sabe o que é bom ; quem não vem não faz sentido <

Sentido tem aonde ir.

Sentido se encontra distraído.

Senta aí e sente o som do meu a _ _ r

no seu

ouvido

 

.


.

(Publicado originalmente em 10/03/2007, revisado hoje. Lembrei por causa da matéria dO Globo.)

 

 

sol à vista!

meus olhos renovam o visto

de turista

 

 

 

 

mosktub

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estava escrito:

se está tudo perfeito

vai ter mosquito

.

 

 

 

Comentário ao post Panta rei do blog Tempus Fugit

 

Panta rei, pensou Heráclito,
os olho fitos num rio
em que não me banharei...

talvez por força do hábito
eu periclito mas rio
do mar que outrora pensei.

 

 

.

.

Update: este poema foi citado e ilustrado no belo site Imaginário Poético.

 

 

 

 

a formiga só trabalha

porque não sabe contar

 

a cigarra canta à toa

pra ser despedida

 

arrebenta o peito  e na saída ainda

tira sarro

:-0~

fumega um cigarro

 

 

 

fogo se alastra

no lençol, ventilador

vira girassol

 

#

 

 

 

na praia agora tem wi-fi

...

o garoto nerd vai

pra praia pegar tatuíter

 

 

 

 

~

 

a folhas tantas

a noite oxigena o ar

que inspira as plantas

 

~~

 

 

..

enfim sóis

em finde a dois

enfronhados em lençóis

em fina chuva bem embalados

enfuna folha aflora o verde sorte nossa

inflama entorna empoça o futon sem pressa

a fim de tudo agora e sempre aqui afinal

enfiados em nós sem fim das pontas

ao final de tarde inícios muitos

infinitivos feriados juntos

e finalmente ao vivo

em finados

..

 

 

 

 

 

 

'

garoa pinga

gotas da sua sede

na minha língua

,

 

'

~

 

 

 

ando confuso horário

:

meu relógio de sol

vira a noite

ao contrário

 

*

 

 *coinciddenticum

 

 

jóia

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de hoje em diante

cada dia há de valer

um dia amante

 

<>

 

 

twema #8

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hai-cai balão

:

e afinal o balloonboy

tinha os pés no chão

. . 

 

 

imagenta

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pinta um solzinho

tiro o cavalete da chuva

colorizo meu p/b

 

minha paleta muda

da água-tinta pro vinho

rosé

 

 

 

'

 

traje de chuva:

 roupa de cama me cai

como uma luva

 

" ' "

 

quiromance

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a

 

l

i

n

h

a

 

d

a

 

 v

i

d

a

 

a

l

i

n

h

a

v

minha contramão

à palma da sua

:

c

a

m

i

n

h

o

 

d

o

 

c

o

r

a

ç

ã

o

 

q

u

e

 

a

l

i

n

h

a

meu monte de vênus

ao seu dedo

da lua

.

 

 

ondina

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o vento há de trazer quem me procura

e nem preciso soar a sereia

pois bem sei que o amor tem seus sonares

 

meus olhos d'água vão ondular os mares

até encontrar a pérola obscura

pra iluminar meu castelo de areia

 

 

 

era uma vez

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-

preciso

dormir

cem anos

pra esquecer

um sonho

pra aquecer

as perdas

pra rasgar

os panos

pra embalar

o sono da

princesa-ninfa

lagarta morta

de tristeza

e dor

no

escuro

oco casulo

crisálida crise

até que aos poucos

linhas tênues serpentinas

desenhem sementes de

fios meus cílios

despertem

de assalto

meus olhos

em asas

de seda

um toque

um vôo

a roçar

levemente

meus planos

mais altos 

.

.         .

.                 .

 

 

 

 

printemps.jpg
  
 ;

 

meu papel de seda molha
 
cada vez que você passa e não
 
me olha
 
;
 
lágrima deixa mancha
 
escura na minha folha fina
 
branca
 
;
 
desdobradura do acaso, nem eu sei me repetir
 
quando a dobra dos meus olhos
 
se desmancha
 
.
 
 
 
 
(Publicado no dia 11/09/07 , revisado hoje)
 
 
 

eloqüência

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a sua ausência

fala por si

lêncio

:

 

 

aquarela

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Abstract-Watercolor.jpg

 

 

o céu desbota

;

o azul veio choverde

 na minha horta

.

 

 

 

Ilustração Carolin Fennern

aproximavera

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hexagram19-lin.jpg 

soleira brota

:

a prima-hera bate

à minha porta

 

.

 

"Quando há coisas a realizar, pode-se crescer. (...) Aproximação significa tornar-se grande." 

(I Ching - O Livro das Mutações)

 

 

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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