Eu penso assim, num poema
as palavras têm muitos sentidos, cinco são o mínimo do senso comum.
O cheiro, veja bem, nem sempre é o que se espera: qui_mera suja o pé na primeira pisada em falso.
E o paladar amargura, tem quem use, não faz meu gosto. Na língua prefiro o que arde.
No mais a voz da musa grafa os lótus que afloram do fundo branco dos murmúrios, antes que murchem no próximo suspiro.
Olha que onda, o que eu disse? nada pois, de olhos abertos sob o som pra ver que tudo.
Polir o verbo bem custa e revela um certo tato e conquanto evite a rudeza nem sempre aumenta o brilho, sobretudo quando encera a falta de.
quem muito lapida às vezes quebra o ladrilho
<mosaico móbile tudo que se move colorido e vário encontra contratempo em sentido anti>
horário
Tem outros muitos sentidos, claro, e obscuros. Figurado, por exemplo: um álbum pra cada boa palavra na banca mais próxima.
Duplo sentido, encontram-se a dois. O verdadeiro, a sós.
Sentido fica quem sente dor de si, depois.
> o que teria sido não sabe o que é bom ; quem não vem não faz sentido <
Sentido tem aonde ir.
Sentido se encontra distraído.
Senta aí e sente o som do meu a _ _ r
no seu
ouvido
.
.
(Publicado originalmente em 10/03/2007, revisado hoje. Lembrei por causa da matéria dO Globo.)
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