a formiga só trabalha
porque não sabe contar
a cigarra canta à toa
pra ser despedida
arrebenta o peito e na saída ainda
tira sarro
:-0~
fumega um cigarro
Nov 9th, 2009 by Christiana Nóvoa
a formiga só trabalha
porque não sabe contar
a cigarra canta à toa
pra ser despedida
arrebenta o peito e na saída ainda
tira sarro
:-0~
fumega um cigarro
Nov 7th, 2009 by Christiana Nóvoa
fogo se alastra
no lençol, ventilador
vira girassol
#
Nov 6th, 2009 by Christiana Nóvoa
na praia agora tem wi-fi
…
o garoto nerd vai
pra praia pegar tatuíter
Nov 6th, 2009 by Christiana Nóvoa
~
a folhas tantas
a noite oxigena o ar
que inspira as plantas
~~
Nov 2nd, 2009 by Christiana Nóvoa
..
enfim sóis
em finde a dois
enfronhados em lençóis
em fina chuva bem embalados
enfuna folha aflora o verde sorte nossa
inflama entorna empoça o futon sem pressa
a fim de tudo agora e sempre aqui afinal
enfiados em nós sem fim das pontas
ao final de tarde inícios muitos
infinitivos feriados juntos
e finalmente ao vivo
em finados
..
Oct 27th, 2009 by Christiana Nóvoa
‘
garoa pinga
gotas da sua sede
na minha língua
Oct 23rd, 2009 by Christiana Nóvoa
Oct 19th, 2009 by Christiana Nóvoa
de hoje em diante
cada dia há de valer
um dia amante
<>
Oct 15th, 2009 by Christiana Nóvoa
Oct 12th, 2009 by Christiana Nóvoa
pinta um solzinho
tiro o cavalete da chuva
colorizo meu p/b
minha paleta muda
da água-tinta pro vinho
rosé
Oct 10th, 2009 by Christiana Nóvoa
‘
traje de chuva:
roupa de cama me cai
como uma luva
Oct 5th, 2009 by Christiana Nóvoa
a
l
i
n
h
a
d
a
v
i
d
a
a
l
i
n
h
a
v
a
minha contramão
à palma da sua
:
c
a
m
i
n
h
o
d
o
c
o
r
a
ç
ã
o
q
u
e
a
l
i
n
h
a
meu monte de vênus
ao seu dedo
da lua
.
Sep 30th, 2009 by Christiana Nóvoa
o vento há de trazer quem me procura
e nem preciso soar a sereia
pois bem sei que o amor tem seus sonares
meus olhos d’água vão ondular os mares
até encontrar a pérola obscura
pra iluminar meu castelo de areia
Sep 22nd, 2009 by Christiana Nóvoa
–
preciso
dormir
cem anos
pra esquecer
um sonho
pra aquecer
as perdas
pra rasgar
os panos
pra embalar
o sono da
princesa-ninfa
lagarta morta
de tristeza
e dor
no
escuro
oco casulo
crisálida crise
até que aos poucos
linhas tênues serpentinas
desenhem sementes de
fios meus cílios
despertem
de assalto
meus olhos
em asas
de seda
um toque
um vôo
a roçar
levemente
meus planos
mais altos
.
. .
. .
Sep 20th, 2009 by Christiana Nóvoa
Sep 19th, 2009 by Christiana Nóvoa
a sua ausência
fala por si
lêncio
.
Sep 15th, 2009 by Christiana Nóvoa
Sep 13th, 2009 by Christiana Nóvoa
soleira brota
:
a prima-hera bate
à minha porta
.
“Quando há coisas a realizar, pode-se crescer. (…) Aproximação significa tornar-se grande.”
(I Ching – O Livro das Mutações)
Sep 10th, 2009 by Christiana Nóvoa
Noves dentro, o Sarau foi tudo! Noite especialíssima, falas inspiradas e clima delicioso.
.
.
Falei pela primeira vez meu poemão João, em versão reduzida, porque fiz de memória. Ou quase, tive a ajudinha providencial de minha boa mãe, que ficou de “ponto” na primeira fila… ;o)
.
Surpresa da noite: meu amigo de longa data, Marcos Chrispim, acupunturista seriíssimo, saiu da gaveta, soltou o verbo e arrasou! Antes ele já tinha participado de um sarau virtual, aqui mesmo neste sítio.
.
A bonita Killiana, dos mil talentos diversos, se lembrou que era poeta e também floriu uns versos.
Quem vem mais?
.
Ao fim, tive o prazer de conhecer o Rui Galanternick, que nos brindou com borboletas e outros altos voos.
.
Agradeço a todos que foram. Opinião geral: o que é bom merece bis, tris ou mais. Aguardem notícias.
Sep 3rd, 2009 by Christiana Nóvoa
do ano Nove, às Nove
tem falatório poético
no cult-café Lunático!
Venha e traga uma poesia
de sua própria autoria
ou de quem você quiser
pra dizer a quem vier…
ou fique só escutando
as loucuras desse bando
de poetas-menestréis
enquanto come uns pastéis.
E veja que maravilha:
É grátis! Traga a família.
Esperamos por vocês:
Viscon’de Carandaí, 6.
.
Apresentação: Christiana Nóvoa
Poetas Convidados: Cabelo, Dado Amaral, Juca Filho, Justo Dávila, Paula Cajaty, Priscila Andrade e quem mais aparecer.
Dia 09/09/09, das 9 às 11 da noite.
ENTRADA FRANCA
Local: Lunático Café e Cultura
[clique aqui pra mais informações]
Aug 24th, 2009 by Christiana Nóvoa
*
a estrela-dama
ve’nua
sem nuvem sem véu
sem luva
*
convidando o sol
pra sua
cama de deusa
carrossel
*
dossel da boca
palato
teto estrelado
da vulva
*
luz da beleza
ascende
faça sol ou raie
a chuva
,
sobe a estrela dalva
e anuncia
que só o amor salva
o dia
*
* Astrologia ensina: “Quando Vênus se eleva, o Sol não tarda.” Alvorada!
*
Imagem: O nascimento de Vênus – Sandro Botticelli
*
*
Aug 21st, 2009 by Christiana Nóvoa
Eu tenho essa musiquinha na cabeça há um bom tempo: panãpanã~panãpanã~panãpanãpanãpanãpanã.
(Pra quem não está ligando o nome à pessoa: panãpanã – ou panápaná, há controvérsia – é o coletivo de borboleta.)
É uma musiquinha muito simples, como todas as musiquinhas que ficam voejando na cabeça. Mas devo admitir que não sei escrever as notas, então preciso que você componha a melodia.
Compasso binário; andamento allegro molto. Andiamo:
uma borboleta só
não faz manhã
~
borboletas juntas são
panãpanã
~~
panãpanã panãpanã
panãpanãpanãpanãpanã
~~ ~ ~~
panãpanã panãpanã
panãpanãpanãpanãpanã
fotos guga alayon
Aug 21st, 2009 by Christiana Nóvoa
a manha é ser luz
sol que move a si mesmo
se a manhã chove
,
Aug 21st, 2009 by Christiana Nóvoa
a noite tece
teia de orvalho em vaga
l’umidescência
;
Aug 17th, 2009 by Christiana Nóvoa
ò
graça
que não se esgota
,
mistério
que não se explica
:
quanto mais sério
fica
,
mais a gente
goza
!
Aug 10th, 2009 by Christiana Nóvoa
![]()
meu olho cego lê camões
com as mãos
;
o olho que molha o mar
fi-lo sophia
;
meu olhar de florbela
espanca
;
por me olhar por outra
pessoa
;
o poema que me olha nos olhos
lê minski
.
(As partes sublinhadas são links para alguns poemas que vivem conversando aqui, em meu íntimo solar. Clique e veja/ouça aí no seu.)
foto: eu por mim mesma
Aug 10th, 2009 by Christiana Nóvoa
.
a mulher do ferreiro pensa
que o espeto de pau compensa
a falta do vil metal
.
Aug 9th, 2009 by Christiana Nóvoa
um olho do meu pai é verde da cor exata do mar, que muda de chumbo a esmeralda conforme chova ou faça sol. o outro é da cor do céu azul com nuvens brancas.
foi meu pai que me ensinou a nadar no mar, depois da arrebentação, e eu não sei se aprendi. aprendi a segurar no pescoço dele quando vinha a onda porque, estando em seus braços, nada de mau podia me acontecer.
meu pai sempre vai me lembrar vento, vela, barco, caminhos do tigre, viagens ao léu. frutos do mar, dias de sol, chuva no convés e meu pai ao leme, o olhar longe no horizonte. ou tropeçando na âncora, se enrolando nos cabos, dando topada e praguejando. tenho muito a quem sair.
meu pai também me lembra uma enciclopédia, um almanaque do abacateirol, um compêndio de história, um caderno de estórias que agora estão molhados, se desfazendo e não vou mais poder folhear. causos de família à mesa, citações em latim, resposta pra tudo, pra quase tudo. no quase é que mora o perigo.
nesse momento em que escrevo ele está quase morto, foi o que disse o médico, o corpo não está mais respondendo. eu não sei o que é isso, parece quase tão definitivo quanto a morte, mas tem uma coisa que ainda persiste, a vida, o que quer que isto seja. mas ele não tem mais respostas.
meu pai sempre foi difícil, fácil de amar por ser tão único. o mais bonito, o mais inteligente, o mais meu pai de todos os homens do mundo. não por acaso, foi muito amado, para o bem e para o mal.
o amor, no fim das contas, é sempre para o bem, e sei que meu pai será perdoado por todos os seus predicados e desvirtudes, amém.
.
update: meu pai morreu às 5:30h de hoje, 19 de dezembro de 2008.
.
O texto acima foi o último que escrevi pro meu pai. Este é o primeiro dia do pais que passo sem ele. Na época não tinha fotos dele, agora encontrei estas.
Na ocasião também não lembrei de dizer que a expressão do título, “bonito como nome de barco”, foi tirada de uma peça de Nelson Rodrigues que adoro, A Dorotéia.
Feliz Dia dos Pais a todos!
.
Aug 5th, 2009 by Christiana Nóvoa
meu tímpano grita
nesse urbano labirinto
trompa
!
de eustáquio
.
eu estou aqui ó
:
ouvindo um dizzy no rádio
;
vivendo o dia-a-dióxido
da cidade
tóxica
[essa tribo daqui
brita paca
bate estaca
ataca
martelo.bigorna.estribo]
{eu cá toda cóclea
concha búzia caramuja
roca semifusa
des-fio re-cordo longos estribilhos
com meus caracóis}
}dóem-me os ruídos
mas ao caos
sou toda ouvidos{
a noite sampa
e eu rio
o que não cala
( )
trago um silêncio
escondido dentro
da mala
.
Filme Guga Alayon
Jul 28th, 2009 by Christiana Nóvoa
querem meus olhos vermelhos
catar nos cacos vitrilhos
apolpar na palha o ópio
.
.
.
mandala vitral reluz
no fim do túnel de espelhos
do macrocaleidoscópio
Jul 26th, 2009 by Christiana Nóvoa
a manga verde
cheira rosa promessa
tiê tem pressa
já-queira goza
deita sua seiva aflora
cai quem se arvora
.
Jul 23rd, 2009 by Christiana Nóvoa
palavra sob a
pálpebra
arde
,
verve ácida
pinga
,
lágrima
ferve
,
lava
,
péla onde molha
fere mesmo se trans
lúcida
(
eu
bruta
estupida
mente
límpida
,
filosofal
pedra
líquida
)
.
Jul 14th, 2009 by Christiana Nóvoa
pela lente
do turista
a china
me avista
a vista
no véu
súbito
me asfalta
dúvida
concreta
subir
or not to bi
cicleta
?
.
Imagens de passeio a pé à Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, num sábado nublado. Cerca de 2 horas de subida pela antiga, linda e semi-abandonada Estrada Dona Castorina, agora preferencial para ciclistas.
Jul 7th, 2009 by Christiana Nóvoa
a sombr(a mor)deu
a borda oca da )ua
longe o so( zinho
) (
Jun 20th, 2009 by Christiana Nóvoa
que festeja em meio à crise
‘guenta que lá vem sarau
– venha, verseje e avise –
vamos cantar pra subir
o balãozinho do humor
caipiras vamos carpir
em versos a nossa dor
vamos poetar pra quebrar
pra construir ou só_pra
lembrar que abunda hai-cai
sem sono? tenta um soneto
um verso branco (ou preto)
agradeço, agora vai:
.
.
.
imagem: escultura em papel machê
Jun 18th, 2009 by Christiana Nóvoa
vivo cigana
roda na estrada
carta na manga
rota na mão
a caravana
passa e eu, ladra
ganho uma prenda
teu coração
um dia amarro
minha carroça
planto uma roça
no teu regaço
por ora solto
volto pra praia
com um braço do teu mar
debaixo da saia
…
gira dos tempos
gata gatuna
rosa-dos-ventos
roda-da-fortuna
…
[ arquivo em audio >> rosa dos ventos ]
.
foto: guga alayon
Jun 12th, 2009 by Christiana Nóvoa
O dia dos sem-namorado cai dos sonhos com um suspiro comprido. Sem beijo de bom dia nem nada de bom pra fazer na cama depois de acordar.
Começa com jornal e coisas importantes acontecendo no mundo, um café preto e uma esperança quase afogada no fundinho da xícara: será que é hoje? Mas isso ninguém vê, nem a lágrima escapulida que a mão rápida dispersa. A cena seguinte já vem automática: olhar pra cima e respirar fundo, vestir o sorriso e ir à luta, que com cara de palhaça é que não se arruma ninguém mesmo.
O dia dos sem-namorado se demora em papéis e desktops e liga a tv na hora do almoço, pra distrair da falta de companhia. Evita as vitrines e os out-doors, repletos de corações e sorrisos felizes de quem nasceu um-para-o-outro. Passa direto pelo cinema com sua fila de pombinhos e dispensa, constrangido, a promoção bem-me-quer da operadora de celular.
O dia dos sem-namorado sai cedo e volta tarde, liga pros amigos, faz ginástica. Come fora, dá-se um livro – de pena, no fundo, é triste não ter a quem dar flores. O dia dos sem-namorado, se o quiser florido, compre as próprias, se o quer doce, encha a boca de bombons. Se romântico, abra um vinho e pegue um filminho piegas na locadora, daqueles que um namorado se recusaria a assistir. A maior vantagem de estar só é não ter que chegar a um consenso.
O dia dos sem-namorado é um dia igual a outro qualquer, só que mais longo, pela simples razão de que deveria ser especial – como, aliás, todos os dias. Pela falta que faz alguém pra surpreender minhas cores. A noite cresce e eu vou ficando esmaecida.
O dia dos sem-namorado termina como começou, num sonho, terra sem-fim da ilusão solitária.
E vai cair num suspiro comprido lá do outro lado, no próximo dia. Um dia normal, ufa, onde eu não seja um estranho ser que anda partido e sobrevive por teimosia, feito rabo de lagartixa.
.
* O texto acima foi publicado originalmente no Epinion em 10/06/2004, depois republicado aqui , e até hoje é um dos mais visitados deste sítio.
Então, aos desnamorados que venham, por venturas do google ou outras tantas buscas, a cair por aqui, deixo esta mensagem de fé: a vida muda e um encontro, quando menos se espera, acontece.
Pois, vejam só, esta moça que vos escreve, outrora suspirante e solitária, hoje pode dizer com todas as letras que é arfantemente feliz no amor :) [comentado em 2009]
Jun 10th, 2009 by Christiana Nóvoa
me achar agulha
nesse espalheiro
anda difícil
.
caiu na rede
é pixel
.
Jun 5th, 2009 by Christiana Nóvoa
Jun 3rd, 2009 by Christiana Nóvoa
se quer amor te dádiva até a morte
sem volta
.
ser o último sou a primeira a querer
sem dúvida
.
se quer forte eu não fraquejo mesmo
na falta
.
se quer onde eu sinto a sua presença
em volta
.
se quer longe não está mais aqui
quem faltou
Jun 3rd, 2009 by Christiana Nóvoa
esfria aqueço
sonhos longos esqueço
a lua acesa
(
May 30th, 2009 by Christiana Nóvoa
em verdade em verdade vos digo:
eu não ligo ninguém atende
nada do que a)brigo
.nem meu um.
bingo
.
May 27th, 2009 by Christiana Nóvoa
da verdade que falo. nua
crua como a carne do corte entre as minhas coxas
e não me venha com meias
.
May 25th, 2009 by Christiana Nóvoa
Não é haicai nem podia. É uma linha por dia. Uma lia tao vez. A segunda via. A terceira tá vazia.
May 21st, 2009 by Christiana Nóvoa
[poema em uma linha pra twitter e outras pressas]
pretenso poema de senso tal que saiba o que penso em peso denso qual caiba um lenço dentro do bolso do pouco tempo
May 18th, 2009 by Christiana Nóvoa
Meus anjos tocam trombeta nos portos
Meus mortos tocam banjo nas sarjetas
Sinto pesar minha caneta, é fato
.
Vazia feito os moinhos que enfrento
Sou prato cheio pra crítica alheia
Eu levo jeito é pra viver de vento
.
Se hoje eu tiver que morrer, que morra
Do lodo, de repente aflora um lótus
.
A fonte do meu fogo fátuo jorra
Foto: Lótus – Eduardo Pannain
May 6th, 2009 by Christiana Nóvoa
perdi minha identidade em algum ponto do caminho.
sei lá se na rua, no balcão da lanchonete, no banco do ônibus na volta pra casa.
.
quem sabe num rasgo da bolsa, num bolso furado ou, pior e até mais provável, no buraco negro do meu próprio caos.
.
se alguém me encontrar, não devolva. a foto era péssima.
Apr 29th, 2009 by Christiana Nóvoa
.
Eu choro muito.
.
Não que tenha motivo. Ou até tenho, quem não? Mas desconfio que a hiperatividade das minhas glândulas lacrimais independa de bons, ou no caso maus, motivos. As pobrezinhas simplesmente são assim desabridas, derramadas.
.
Eu choro no cinema, até aí tudo bem. Mas também choro em novela, seriado enlatado, até em anúncio. Telejornal, então, é uma choradeira só.
.
A primeira vez que chorei, estava roxa, afogada no assombro de ter que nascer de véspera, prematura e incompleta. Não lembro, claro, faz tempo. Mas a crueza da vida ainda me azula.
.
De alegria ou frustração, saudade, raiva, vergonha… tem vexame pra todo gosto, não dá nem pra disfarçar: o nariz fica vermelho e o olho esguicha.
.
Meu pai dizia que eu chorava em jatos. Ainda choro, ele que não fala mais. Por essa falta, volta e meia me sobe aos olhos uma orfandade súbita, autopiedosa, que quase justifica o derrame, mas isso não é tudo. Sei de outros vazios fundos e mudos, inomináveis, como se as palavras, nem elas, fossem mais minhas amigas.
.
Como se só água dissesse o que fui, o que nem sei quem sou.
.
Como se meus olhos quisessem lavar a dor do mundo.
.
Como se eu fosse triste. Como se já tivesse nascido.
.
Como se a chuva na praia pudesse regar o sol.
.
.
Apr 23rd, 2009 by Christiana Nóvoa
Apr 15th, 2009 by Christiana Nóvoa
.
a lua chia
mata em silêncio cheia
de som e folha
.
foto: mata atlântica – broto de samambaia gigante, por luizdemog. [fonte]
Apr 9th, 2009 by Christiana Nóvoa
sexta: a feira dá peixão
..
sábado: o dia lê lua
..
dormindo: de paz, quase
:
.
Imagem: Serpentina, Beatriz Milhazes
Apr 4th, 2009 by Christiana Nóvoa
me fez sentir Tri-Big-Ben
dona dos UN-DOs e Fundos
cofre de folha-de-flandres
uma verdadeira fêmea
com FMI maiúsculos
que dá até o que não tem
que dá, Doha a quem doer
azeita, passa Mantega
o importante é con-vencer
e sair bem nessa foto
com a Rainha-amiga-meiga
Chefe-orgulho-da-nação
boa-fé nosso dê-voto
mas admitam que é chique
quase assim uma Michelle
ser qu’empresta uma ajuda
quando o barco vai a pique
não que eu com isso me iluda
porém de uma coisa eu sei
senti o poder na pele
e nesse ponto . G2OZEI
.
Mar 20th, 2009 by Christiana Nóvoa
.
equino ócio
repasto de min_erva
logos cavalar
.
equino cio
ru_mino tauro tua
cavalga_dura
.
Feb 20th, 2009 by Christiana Nóvoa
À falta de fantasia nova para minha misantropia – e na ausência de alguma súbita disposição foliã que me prenda a esta cidade maravilha purgatório da beleza e do caos – deixo uns versos de tempos atrás fazendo as honras da casa durante meu retiro momesco, onde somente o amor há de me lançar perfumes.
carnaval : o aval da carne
entrudo : o nome diz tudo
momo é do balaco, baco
tem álcool pra todo mundo
abram alas, foliões
que o meu fígado é mais fraco
sou meio ruim da cabeça
meio doente do pé
vejam só, quebrei o salto
e nem sei sambar direito
não tenho piercing no umbigo
nem silicone no peito
de tudo que eu mais amava
nos carnavais da infância
dos bailes e das marchinhas
de máscara e fantasia
não ficou mais que a lembrança
qual confete e serpentina
obstruindo os bueiros
na quarta-feira de cinzas
.
as multidões se aglomeram
como surtos se propagam
e os lixeiros é que pagam
a conta dessa folia
Imagem: Degas – Arlequin et Colombine
Feb 16th, 2009 by Christiana Nóvoa
Poesia pura, o filme Coraline, animação de Henry Selick sobre o livro de Neil Gaiman. A caprichadíssima cena inicial, da “reciclagem” da boneca pela aranha, já remete a uma série sem fim de analogias entre a costura, a narrativa – trama, enredo, novela etc – e a própria vida. A artrópode sinistra também me trouxe à mente as figuras mitológicas das três parcas, fiandeiras de destinos: uma fia, outra tece, outra corta.
E uma (nem tão) nova história (re)começa.
Coraline, cujo nome contém as letras de Alice, também segue um roedor, passa por uma portinha e adentra um mundo paralelo e maravilhoso, para só depois perceber que está num lugar estranho onde uma mulher poderosa e terrível quer lhe cortar a cabeça (no caso, os olhos).
Mas não são todas as histórias um mesmo sonho reciclado?
Nos dois apartamentos vizinhos ao de Coraline, no casarão, temos o domador de ratos e as duas irmãs atrizes (que me lembraram um continho delicioso de Cora Coralina, poeta-tecelã, o que me levou ao trocadalho do título). Os personagens, ora decadentes, ora espetaculosos, descortinam o encantamento dos universos do circo e do teatro, justamente os ancestrais do cinema nas artes e manhas da ilusão.
No “outro mundo”, todos parecem melhores: mais jovens, perfeitos e encantadores. Só que têm botões no lugar dos olhos.
Todos, menos o gato (de Cheshire?), o único que, como ela, tem olhos de verdade e é capaz de transitar entre os dois mundos. Sonhos lúcidos são para poucos, afinal quem consegue manter os olhos despertos diante da sedução das imagens criadas por nossos próprios desejos?
Coraline é um pesadelo lindamente tecido em cada detalhe. Sensível, inteligente, triste e gracioso como toda criança solitária que, para escapar ao tédio, cria mundos e abismos em si mesma.
Feb 12th, 2009 by Christiana Nóvoa

hoje dilúvio
segue-se o óbvio
amanhã bonança
.
ouvido atento
conforme o tempo
é que se dança
..
Feb 6th, 2009 by Christiana Nóvoa
Quem me passou o meme foi o Samurai, querendo que eu conte seis coisas que (quase) ninguém sabe sobre mim. Depois vi em um blog amigo outra versão da brincadeira, com apenas cinco ítens.
Vejamos a quantos chego. Agora, pensando assim, não lembro de nenhum segredo, dos reveláveis. Mas vamos lá, com boa vontade e algum desprendimento eu posso conseguir.
.
1) Sim, eu corrijo meus textos depois de postados. Quando vejo uma besteira, um erro de português ou uma ideia (sem acento, ugh) ruim, ou quando encontro uma solução melhor pra uma frase ou um verso, eu mudo na hora. Às vezes chego a refazer o texto todo, ou até deleto o malfadado post, mesmo sabendo que, a essa altura, o RSS já me denunciou. E mexo também nas minhas respostas aos comentários, sempre que acho que fui indelicada, ou simplesmente boba, ou quando desconfio que possa ser mal interpretada.
.
2) Morro de vergonha que leiam meus textos “em processo”. Não suporto alguém olhando pra tela do computador ou pro meu caderno, enquanto escrevo. Nem o namorado pode, nem meu filho, nem minha mãe. Passo mal só de pensar que o administrador do blog possa ler meus rascunhos (viu, Roney?). E quando eu morrer, vou dar um jeito de assombrar qualquer curioso que se atreva a profanar meus “inéditos”. Se eu não mostrei pra ninguém, é porque não gostei, ou então não está pronto. Aos editores: façam a gentileza de me publicar em vida, ou me esqueçam pra todo o sempre.
.
3) Sou capaz de dormir mais de 12 horas, tranquilamente. Pode-se dizer que sou muito boa de cama. Só não durmo tanto todos os dias porque a rotina trabalhista não permite, mas sinto falta. Acho mesmo que tenho escrito pouco ultimamente, não por falta de tempo útil, mas por falta de sono. Estou certa de que as idéias se arrumam durante os sonhos e, com o déficit onírico acumulado, fica tudo bagunçado, chacoalhando cá dentro, e as palavras não conseguem se encaixar.
.
4) Odeio sutiã e só uso por motivo de força maior (leia-se camiseta branca, ou “marcante”, ou transparente). Outro dia, pra minha glória, li em algum lugar que, contrariamente ao que dizem por aí, estudos comprovam que usar sutiã faz cair o peito. Eu acredito e assino embaixo (ou melhor, em cima, que pra cima é que se olha!).
.
5) Embora não seja segredo, não cheguei a comentar por aqui que, em 28 de dezembro, eu fiz aniversário. E como nasci no fatídico ano de 68, isso significa que completei inacreditáveis… bom, não preciso dizer com todas as letras (no caso, todos os algarismos), vocês já fizeram a conta, né? Pois é, aconteceu comigo. Entrou nos enta, agora aguenta!
.
6) Tá bom de sinceridade por hoje? Parei.
.
Não sei se devo repassar o meme, tem gente que odeia. Vou deixar apenas como sugestão pro Guga, o Pinto, a Dalva, a Cynthia, a Pat, o já citado Roney e quem mais quiser. Ou não.
Feb 5th, 2009 by Christiana Nóvoa
.
Não há teto e lustre que eu não prefira ver
lua
.
Não há roupa linda que eu não quisesse estar
nua
.
Não há outro olhar que eu não deseje ser
sua
.
Feb 3rd, 2009 by Christiana Nóvoa
Jan 21st, 2009 by Christiana Nóvoa
adivinho pela transparência da folha um relance da próxima página no verso do papel
palavra mágica entrelida inversa na contraluz azul fugaz de um fósf
Jan 5th, 2009 by Christiana Nóvoa
chuvas deverão
…
dias de sol deveriam
,
deveras
.
Dec 30th, 2008 by Christiana Nóvoa
Que a crise nos seja leve,
a guerra em Gaza, breve,
e a dor se converta em verve.
Que o amor seja onda intensa,
a conta bancária, imensa,
e o humor no fim sempre vença.
Que eu vá onde nunca estive,
que o trânsito esteja livre,
destino: savoir vivre!
.
Dec 17th, 2008 by Christiana Nóvoa
um olho do meu pai é verde da cor exata do mar, que muda de chumbo a esmeralda conforme chova ou faça sol. o outro é da cor do céu azul com nuvens brancas.
foi meu pai que me ensinou a nadar no mar, depois da arrebentação, e eu não sei se aprendi. aprendi a segurar no pescoço dele quando vinha a onda porque, estando com ele, nada de mau podia me acontecer.
meu pai sempre vai me lembrar vento, vela, barco, caminhos do tigre, viagens ao léu. frutos do mar, dias de sol, chuva no convés e o meu pai no leme, o olhar longe no horizonte. ou tropeçando na âncora, se enrolando nos cabos, dando topada e praguejando. tenho muito a quem sair.
meu pai também me lembra uma enciclopédia, um almanaque do abacateirol, um compêndio de história, um caderno de estórias que agora estão molhados, se desfazendo e não vou mais poder folhear. causos de família à mesa, citações em latim, resposta pra tudo, pra quase tudo. no quase é que mora o perigo.
nesse momento em que escrevo ele está quase morto, foi o que disse o médico, o corpo não está mais respondendo. eu não sei o que é isso, parece quase tão definitivo quanto a morte, mas tem uma coisa que ainda persiste, a vida, o que quer que isto seja. mas ele não tem mais respostas.
meu pai sempre foi difícil, fácil de amar por ser tão único. o mais bonito, o mais inteligente, o mais meu pai de todos os homens do mundo. não por acaso, foi muito amado, para o bem e para o mal. o amor, no fim das contas, é sempre para o bem, e sei que meu pai será perdoado por todos os seus predicados e desvirtudes, amém.
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update: meu pai morreu às 5:30h de hoje, 19 de dezembro de 2008.
Nov 27th, 2008 by Christiana Nóvoa
o branco do olho pinta
na pálpebra um arco
íris
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Nov 26th, 2008 by Christiana Nóvoa
é o mar em mim que não sei onde barco
nem bem quem sinto com essa maré tanta
onda me perco inda que leve a fundo
ao cabo tudo que a corda arrebenta
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toda tormenta tem sua bonança
cada criança tem o seu instinto
singrar na unha o espesso oceano
por vir ao ar mesmo que um fio parco
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enfuno em claravela o ar retinto
semeio tempestade colho in vento
desvendo o verbo que replanta o mundo
derrame de água-benta em terra santa
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imagem: piers brown
Nov 19th, 2008 by Christiana Nóvoa
Meu amigo Dado, que não é o Dou-na-bella mas de quem já falei aqui e ali, está lançando seu primeiro e aguardadíssimo livro de poemas.
A festa-de-autógrafos rola na terça, a partir das 19h, no Sérgio Porto, sede original do Cep 20.000, movimento poeticoperformúsico carioca que ele ajudou a fundar. Vai ter falação de poesia, música e interveção do Boato, a antológica banda-acontecimento que ele integrou nos anos 90, e que hoje em dia só se reintegra em ocasiões especiais como esta. Eu vou.
Quem quiser encomendar o livro pode mandar um email pra gentilezaarrobagmailpontocom, que ele dá um jeito de mandar, autografado, claro, só esqueci de perguntar quanto custa, quando souber atualizo aqui.
Aproveita e pede logo vários que o natal tá chegando, amigo oculto, poesia é sempre um bom presente e eu já gostei do olho, acredita que é dele? O poeta fala por si:
no dia em que eu publicar um livro
de que matéria serão suas páginas,
de carne?
para que o verso seja desenhado
pelo rastro do verme?
que arte, que artefato será usado
para confeccioná-lo,
o livro que eu um dia porventura
publicar?
letras de salitre em páginas de pedra,
fezes de gaivota nos rochedos do oceano,
pele do sexo bordada no pano,
página de esmeralda, letras em urânio
a superfície do texto traçada toda
no meu crânio, porrada por porrada,
ano por ano,
até brotar crescer florescer
gerar
gerânio.
Dado Amaral
Nov 14th, 2008 by Christiana Nóvoa
ateorema inequação
e-nigma insanalógico
fórmula única insolúvel
amalgarismo vírgula dígitos infinitos
esquadratura do círculo
raiz incúbica de pi
se faz de conta
me explica tudo
expressa de modo preciso
quão desmedido
o que impermanece
incógnito
Nov 13th, 2008 by Christiana Nóvoa
Nov 5th, 2008 by Christiana Nóvoa
Bravos
Aplausos
Retumbam
Abraços
Cruzam
Kilômetros
Outra
Bandeira
Agora
Move a
América
America, we have come so far. We have seen so much. But there is so much more to do. So tonight, let us ask ourselves –
if our children should live to see the next century…what change will they see? What progress will we have made? This is our chance to answer that call. This is our moment. This is our time –
to put our people back to work and open doors of opportunity for our kids; to restore prosperity and promote the cause of peace; to reclaim the american dream and reaffirm that fundamental truth –
that out of many, we are one; that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we can’t, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people:
Yes We Can.
(Barack Obama)
Junto-me ao júbilo e às lágrimas dos amigos que estão lá, testemunhas dessa promessa luminosa em meio à espessa treva do horizonte.
Nov 4th, 2008 by Christiana Nóvoa
Aos amigos preocupados com a saúde do meu pai, venho informar que, no dia de São Judas Tadeu, ele voltou à vida, como que por encanto. Ainda que milagre não tenha explicação, este teve: demissão da equipe médica e conseqüente redução dos remédios. Ou seja, a pessoa estava envenenada.
Devidamente desintoxicado, o mudo falou, o paralítico andou e o enfermo, enfim, ressuscitou, contrariando todos os prognósticos. A família respira aliviada e meu pai, mais ainda, livre da sonda nasogástrica, entre outras torturas.
Com a doença, a gente vai se entendendo. Dos maus médicos, só o santo nos salva.
Valei-nos, São Judas!
E agradecida pela graça alcançada.
Oct 14th, 2008 by Christiana Nóvoa
a última voz que anima um corpo insano é a dor
paixão terminal da carne
antes do sono a esperança
é a penúltima que morre
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Oct 9th, 2008 by Christiana Nóvoa
Pau no sistema
[ pAusa para o poema ]
Inverno, pena.
Isso eu escrevi há 2 meses, quando soube que meu pai estava doente. Na época não quis publicar, ficou no rascunho. Agora vai, sei lá porquê. Antes que ele vá.
Que Deus o (man)tenha, uma coisa ou outra, o que for melhor.
Oct 3rd, 2008 by Christiana Nóvoa
Update (9/10): O googa coloriu a foto. Deixei a antiga aqui embaixo, pra vocês verem como um photoshp básico pode dar um up, mesmo em quem já é bonito por natureza. Agora sim o sol apareceu!
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Oct 2nd, 2008 by Christiana Nóvoa
Essa é a vista da minha janela, no trabalho novo. A foto não está boa, fotografia não é meu forte, dá pra ver o Cristo?
Em todo caso, deve dar pra notar que o Rio de Janeiro continua sendo, mesmo com esse tempinho louco que faz o vento uivar pelas frestas e forma ondas na superfície da Lagoa.
Fico devendo a foto de um dia de sol.
Oct 2nd, 2008 by Christiana Nóvoa
Sep 6th, 2008 by Christiana Nóvoa
Aug 19th, 2008 by Christiana Nóvoa
Jun 23rd, 2008 by Christiana Nóvoa

Quadro de Lucas Penacchi
Amigos do coração,
eu venho por meio desta
convidá-los pr’uma festa:
um sarau de São João.
A festança é no arraial
O endereço é virtual
mas o ambiente é bom.
Não tem ladrão nem quadrilha,
só poetas de família.
Não tem fogueira ou balão,
só a luz da inspiração.
Não tem quentão nem cachaça
mas, para espantar o frio,
tem repente, desafio
e rimas cheias de graça.
Se você tem um minuto,
passe aqui pra ver se gosta.
Diga um verso, que eu escuto
e versejo uma resposta.
Se achar que foi divertido,
comovida, eu lhe convido
a retornar para o bis.
Um beijo e até logo, Chris.
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Jun 12th, 2008 by Christiana Nóvoa
o amor que a gente faz
surpreende que ainda soe
perfeito como sói
suspeito até que mais
tanto tempo depois
adoro como sois
poente como sóis
queimando ardendo em nós
dois
imagens: Benn Flemming
Jun 3rd, 2008 by Christiana Nóvoa
Quisera eu fazer este soneto
Como quem faz desenhos na areia:
Traça uma linha a ponta do graveto,
Sobe a maré, apaga linha e meia.
Dos versos presunçosos que cometo,
Quero escrever, bem antes que alguém leia,
As letras em nanquim no fundo preto
Que, assim, a coisa fica menos feia.
Mas nem sempre a censura funciona,
Tem um sopro rebelde que me escapa
E, à minha revelia, vem à tona.
Debalde meu esforço, um mau poema
Liberta-se do escuro, à socapa,
Mata a família e estréia no cinema.
May 20th, 2008 by Christiana Nóvoa
May 13th, 2008 by Christiana Nóvoa
May 6th, 2008 by Christiana Nóvoa