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Testávamos hipóteses lúdicas: vocábulos ímpares, proparoxítonos, infâmias excêntricas, pérolas cômicas.
Brincávamos cândidos, ríamos súbito, íntimos.

Ângulo ótimo, árbitro péssimo, átimo, ínfimo, átomo côncavo. Química atônita, física apócrifa.

Dígitos rápidos, bólidos sólidos, símbolos fálicos. Cânticos pândegos, tímida música afônica.

Idílio paradisíaco, triângulo mâgico, refúgio cômodo. Recôndito útero, pórtico rútilo, músculo sôfrego. Êxtase rítmico, legítimo relógio biológico. Cópula tântrica, cúpula altíssima, círculo máximo. Frêmito lúbrico, místico júbilo, píncaro fúlgido.

Púcaro búlgaro, Ícaro, Fígaro, sátiros frívolos, plenário pífio.

Sizígia plenilúnica, órbita telúrica, pétreo pretérito. Pérfida prédica, pálida alvíssara, próximo sábado.  

Préstimo magnânimo, silêncio último.

P.S.: Graças ao Roney, este sítio recuperou a acentuação e demais sinais gráficos, pondo fim ao qüiproquó instituído pela sistemática bloguística há mais de um aniversário. Ósculo básico a todos. :)

Mundo Animal

Enquanto um elefante faz arte com a tromba…

…um ser (des)humano – ao que tudo indica – matou a filha com as proprias maos.
isabellanardoni.jpg
Que mundo eh esse?
Obs: Mais reflexoes sobre o caso do paquiderme pintor no Blog da Milk.

deficiente.JPG
E deficiente mental, podem?
(foto: Regina Grellet)
.

Cawrioca

vaca.jpg
Tem post meu no Blog da Milk.
.

ando muda, mudando…

Meu atual mutismo tem uma razao de ser: estou me mudando pra Sao Paulo, o blog estah mudando de sistema, estah tudo em transito na minha vida neste momento.
Se este sitio ficar fora do ar por uns minutos, horas ou dias, a razao eh essa.
Mas eu volto, viu? Repaginada e acentuada, se Deus quiser.
E a Mami disse que, com acento, ela tambem volta a escrever por aqui.
Aguardem as boas novoas!
Beijos a todos.

 

 

quis cuba libre…

 

embargado, não caiu!

 

só chamou raul

 

.

rap da poeta louca

 

Art Frahm

Pô, que pena, eu não sou pop!
Nâo escrevo soap-opera
nem letra de hip-hop…

No meu verso invento moda,
minhas redondilhas fecham
porém, no universo fashion,
confesso: não tô no top.

O último show eu nao vi,
só escutei a zoeira
(não ganhei uma pulseira
para o curralzinho vip).

Vai bem baixo meu ibope:
não sou apresentadora,
nem garota de programa,
nem miss, nem BBB,
nem policial do Bope…

Mas tambem posso aprender;
tô a fim de dar um up!
Aparecer na TV
e ganhar uma bolada,
antes que a chance me escape.

Resolvi vender a pena
e o meu contrato com a musa,
em negociata espúria,
pr’um tablóide classe Z.

Vou ver se compro, com o troco
um armamento pesado,
um pente de chumbo grosso
e um modelito que arrase.

Adentro algum mega-evento
e, ao som de um funk indigente,
disparo verbos em fúria
no primeiro que passar!

Saio mandando objeto
direto pra todo lado;
se o sujeito discordar,
vai tomar no predicado…

Briga sempre junta gente:
aproveito os paparazzi,
vou logo tirando a blusa.

Meio minuto de fama
é mais que suficiente
pr’eu deitar, fazer a cama
e editar a obra completa.

Pois finalmente a poesia
vai estar em cada banca
– num ensaio da playboy:

Poetisa aliterada
abusa da língua e arranca
a roupa que o fato rói
.
.
.
(fonte da imagem: http://www.thepinupfiles.com/frahm.html )

rediviva

Este blog esteve fora do ar por 3 dias, depois voltou, depois sumiu de novo, ao que parece por problemas com o Servidor, entidade supra-humana que desconheco mas Louvado seja e nos mantenha em boa conexao!
Foi como uma pequena morte, e tambem nao fui beneficiada por visoes extraordinarias, mas apenas o vazio da inexistencia virtual. Ainda achei que tivesse perdido meus escritos pra sempre – claro que nao tenho backup de nada – e percebi que talvez nao fizessem tanta falta, nem mesmo pra mim.
No milagre da volta aa vida, recobrei minha ilusao de auto-importancia, e cheguei mesmo a ter fe de que voltariam tambem os acentos mas, como podem ver, foi em vao. Tudo bem, quem liga pra uns detalhezinhos graficos diante da avassaladora sensacao de pertencimento, da maravilha de ser um endereco eletronico que funciona, uma gota comunicante em meio ao oceano da web?…
Estou estudando sistemas alternativos pra repaginar o cafofo com acentos modernos, cedilhas arrojadas e tremas de ultima geracao, mas estou cautelosa, nao quero estressar o Servidor e sofrer outra morte subita. A gente vai se apegando a essa vidinha, mesmo com uns defeitos aqui e ali, que vao se arrastando como a perna coxa do dr House. A bengala se incorpora ao figurino como um acessorio excentrico, um charme capenga, de que depois pode ser dificil se livrar. Como a minha teima em escrever evitando angulos agudos e dilemas circunflexos, nem um til de eleicoes nos eua ou no paquistao, nenhuma crase aa bandalha dos cartoes e outros temas aridos…perdoem mas quem nao tem acento, encurta o assunto.
Claro que eu bem queria escrever paragrafos prodigos em proparoxitonas petreas, interjeicoes bombasticas e outras eloquencias de alta tonicidade mas… fica pra proxima.
Por ora, folgo simplesmente por estar em rede, viva!
.

nunc et in hora

amor te
avia
chega
perto
enquanto e’
tempo
a morte
vem
a metro

um trem
parte
sem
aviso
leva
a vida
a fundo
arte
e volta
ao mundo
vazia
todavia
lactea
rota
obra rara
joia pura
moira torta
fia
tece
e corta!
fina-se
o fado
afinal
sobra
a estrada
sina
sinal
estrela da
sorte
nossa
conjunctio
ve nus
a mar-te
possa
a morte
inda que
tarde
ser
a
sim
:
amor-te
em
im
.

taxi.jpgOutro dia peguei um taxi pra rodoviaria e, aproveitando o transito, o taxista foi me contando a vida. Contou que quase morreu num acidente de carro uns anos atras. Ficou 42 dias em coma, depois acordou por uma semana, depois dormiu mais 14 dias. Acordou normal e nunca mais teve nada, os medicos nem acreditaram, vinham examinar de novo pra ver se ele tinha esquecido alguma coisa ou ficado com alguma sequela (com minha vida literalmente nas maos desse homem, so pude desejar ativamente que se mantivesse esta sa~ consciencia, enquanto entravamos no Reboucas). Fiz o obvio comentario de que ele nasceu de novo e quis saber, empolgada, se ele tinha visto luz no fim do tunel, ou vidas passadas, ou espiritos dos mortos, ou alienigenas, ou pelo menos o proprio corpo la na cama, mas a tudo ele me frustrou que nao, nao viu nada, nadinha. Dois tuneis escuros, com um intervalo no meio.
Ja no viaduto perguntei o que ele tinha concluido da experiencia, e ele me respondeu: a vida eh longa.
Ha~? disse eu, que esperava ouvir o contrario.
A vida eh linda, ele disse, e da tempo pra tudo.
Quando olhei pro lado, vi o arco-iris mais nitido de todos os tempos, terminando atras do morro da Saude, precisamente em cima da rodoviaria, e ali ficou ate chegarmos ao nosso destino.
Ao se despedir, ele ainda falou: aproveita sua vida!
Agradeci muito e claro que a viagem foi otima.
Devo estar prestes a encontrar um pote de ouro, ou vai ver ja encontrei.

 

troquei a secretária-eletrônica

por um criado-mudo

;

agora só recebo recados

em mãos

.

.

.

dois mil e
outro
ano do senhor
do bonfim
e do bom meio
e do eterno
reini’cio
oito deitado
o’cio infinitivo
polvo oito
tantraculos
outrossim
umnidos
lado alado
para todo o
agora
ate que
enfim
!
.

Flor-de-lis

(para Olga – inspirado por comentario ao post anterior)
Pra mostrar-se
forte
(e esconder um
corte)
tatuou os
nervos
‘a flor
da pele
.

intemperie

quando chove
de raio
eu chamo
as palavras
de risco
pra vir brincar
em casa
bem longe
de espelho
tesoura
arvore
agua
poste
vassoura
agulha
vidro quebrado
tudo que
fura
ou fere
ou fulgura
um reflexo
qualquer
um cisco
se der
fagulha
atrai
um corisco
que credo
ninguem
aguenta
com o coice
vixe
nem fale
nisso
isola
.
.
.
de capinhas de borracha
vem as chatas
de galochas
e aqui dentro
se abrigam
seguras
ate’ o estio
as intempestivas
e um tanto parvas
(com perdao da ma’…)
palavras
.

janelas

cada janela
que passa
entre:aberta
revela um
esconderijo
onde vivo
roldando e
relvindo a esmo
enmimesmada
andando
em circos
cada pa’lpebra rasga
um globo
corta a vista
uma fatia fina
fresta
apaga
o resto
a face
oposta
a parte
que a re’stia
de visao
nao descortina
.
nesga
o’ptica
di’ptica
..
vesga
camera
desconti’nua
.
cada quadro
expoe meu
negativo
‘a luz
cega
do dia
.
.
todo vidro
que passo
fechado
do outro
lado
nao posso
ir
de dentro
um riso
me espreita
espia
no escuro
assombrado
um sujeito
estranho
suspeito
de ser
eu mesmo
‘a minha
revelia
.

atencao!

estar atento eh
estar aqui
afora
adentro
ainda
a tempo
!

meus dois olhos

/um aqui
um adiante
/
um sono
lento
instante
longo
/
um /a vida um le’pido relance
ra’pida//
/
um brilho
li’mpido
diamante
que acende o dia
*
la^mpada
/
um bruto
pa’lido
nigromante
que a ‘acida noite
#
lapida
/

chuva no mar

droppb.jpga chuva levanta pingos agudos afloram irrompem pincaros do mar morno liso
como se a pele d’agua
arrepiasse
;
fonte da imagem aqui.

 

 

meu papel

de seda

molha

cada vez que você passa e nao

me olha

;

folha fina

em brancas nuvens

me dissolvo

na saliva

deixo na lingua

uma mancha

escura

;

desdobradura

do acaso

nem eu sei

me repetir

quando a dobra

dos meus olhos

se desmancha

.

origami: eric gjerde

Assenta e pensa

Meu pai disse que isso aqui estah um blog de preguicoso. Talvez ele tenha razao.
Eh que me dah uma preguica explicar as coisas sem acento…preciso assentar antes, matutar, assuntar, ate conseguir explicar tudo em poucas letras, que dispensem adendos graficos. Algumas coisas nao posso dizer, por exemplo: faca, do verbo fazer no imperativo, pois que, sem a cedilha, ela se torna faca das que ferem. Pensando bem, quem eh que precisa mandar alguem fazer alguma coisa? E assim vou desistindo de dizer quase todas as coisas longas e acentuadas que me passam pela cabeca. Ou deveria dizer cabessa em nome da clareza, e correr o risco de parecer ignorante? Ai, quantas decisoes, quem precisa de cabeca quando tem tronco e membros?
Rodin%20Thinker.jpg
Deixa eu pensar
melhor
menor
sacou?
.
.
.
confesso:
eu fasso
poesia
por puro
cansasso
da falta
de assento
. . .

repensarte

modestia aa parte
so me cabe
o inteiro
so eh amor
o verdadeiro
.
releitura deste outro aparte.

aracne

web_22363_lg.giffio
a
fio
a
fino
a
forma
ate
fixar
tao
firme
que
flutue
tenue
filtro
fino
vidro
quando
frag / agil
des
firo
a
faca
en
f
i
o
.
.
fonte da imagem aqui.
fonte da inspiracao: o tao da teia, de ana maria machado
.

modo muda

eu que
antes
era
falante
ante o
falo
sinto
fundo
(onde me aperta o)
calo
a boca
a lingua
cola
bora
ficar
mudo
junto
.

a corda

 

sei lá

eu si bemol

voce lá sustenido

 

dito assim nem parece

que a gente é tão

parecido

 

paralelismo estranho

escrito no espaço

físico

 

deixa que o som

me acorde

quando uníssono

 

sam pa

sao paulo
sampleia
sons power
sem pouso
com pondo
com passos
sem pauta
.
sons piram
se param
sus pensos
seus pesos
.
se pairam
sao porem
simpaticos
seus parcos
suspiros
.
sao pausa
.

sobre todas as coisas

 

que sob o céu

me sobre tudo

sobretudo sob o seu

sobretudo

.

marceau.jpgMarcel Marceau dizia mais ou menos assim:
“A mimica nao eh a ausencia de palavras. O gesto mudo tem que ser melhor que a palavra, expressar o que, falando, nao poderiamos dizer.
Se pode ser dito, fale!”
.
A poesia tambem nao devia ser a mera ausencia de silencio.
Se pode ser contido, cale!
.

salva~mar

 

mar leve

meu peso

pro~fundo

 

marola

me~areia

sereia

 

sal estanca

toda carne

que se~angra

 

pensata

todo dia eu penso
uma coisa e passa e nao lembro
precisamente
o que era
..
eu quase que descubro
o que quero pensar pela proxima
era
ou ate setembro
quando a primavera vem
sem que eu precise
pensar
.

sal agosto

 

saudade é o sal

que amanhece desenhado

no leito evaporado de uma lágrima

de felicidade

,

te~ar

o amor~tece
apara~quedas
do~ssel
d~onde
nu~vens
~

frases da lua

(pra Bia)luabia.jpg
sombra-se nova a lousa
branca nave
nao morre aa mingua quem ousa
dormir so
cre sente no ceu da boca a lingua
ave
se some re luz col cheia de si
bemol
uma vez lua pra sempre
clave de sol
.
.
.
foto: bia occhioni

 

meu nome é krishna
vê se me arjuna
indra que eu kali
bhagavad gita

não me ganesha
não me ayurveda
que eu fico mudra
como uma pedra

ananda logo
com o hare hare
rasga meu sári
meu véu de maya

diz que é meu ohm
me pranayama
dharma uma brahma
que eu fico karma

divina graça
seja govinda
que pelo vishnu
és o nirvana

 

o que abunda atrai

bundacosta.GIFA falta de acento me afasta, todavia o dever me chama.
Ia contar um segredo na caixa de comentarios perfeitamente acentuada de um amigo, fiz um longo relato e, na hora de mandar, deu erro, sabe como eh? de matar, nao? dai a gente entra facil na espiral errada. Tem que fazer uma forcinha pra girar pro outro lado. Oooohhhhmmmm.
No fundo tudo eh perfeito, eu tenho que consertar os acentos ou nao precisar deles. Tenho exercitado o desapego ultimamente, e o desacento. Mas confesso que quero mesmo a abundancia, e devidamente circunflexa. Um comentario frustrado pode virar um loooongo post, por que nao? assim seja.
A cornucopia da abundancia, segundo a lenda, eh uma espiral que funciona assim: quanto mais se usa, mais riqueza vem. Na vida, isso tambem se aplica: aos ricos, nada falta, tudo abunda. A Gisele Bundchen, por exemplo, agora ate bunda tem. Pelo menos ela assim se acredita e, como efeito magico, sua bunda cresce e se multiplica pelas primeiras paginas do pais tornando-se, portanto, uma realidade abundante. Sobretudo quando se sabe as cifras da poupanca dela, e como abunda! Da Gisele, acho que ate eu. Pelo menos, dou uma espiada, ali na primeira pagina pagando cofrinho. E ainda tenho a gloria de constatar que, assim num relance, minha poupanca parece mais… polpuda que a dela. Nada alem de aparencias, claro. O conteudo eh o que conta. A conta da Gisele tem um conteudo inegavelmente maior que a minha. Isso me lembra a filosofia de porta de banheiro de Branco Leone, mas o que tem o o assento a ver com as calcas?
Isso tudo foi pra confessar que… sim, eu vi “O Segredo”. (pausa para os comerciais)
Eh o que ha de cafona e sensacionalista mas, pra mim, foi uma especie de revelacao.
Ha alguns meses, mais precisamente no dia 29 de dezembro de 2006 (dia seguinte ao meu aniversario de – outro segredo que cai por terra – 38 anos), vinha eu triste e cabisbaixa, chutando lata pelo caminho, quando esbarrei com um amigo, ou melhor, um conhecido com quem costumeiramente esbarro em meus trajetos e raramente trocamos mais que sorrisos e movimentos de sobrancelha. Eis que nesse dia estava eu – talvez pela tristeza, ou pelo aniversario recente, ou por esses acasos inexplicaveis do destino – mais falante que o costume e o papo rendeu assunto e se estendeu a um cafe na padaria mais proxima. Ao final de 2 medias, 2 cafes pingados e 200 g de pao-de-queijo, despedimo-nos mas ele quis me presentear pelo aniversario com um CD que havia gravado pra sua tia, o ja famoso mas ate entao desconhecido para mim “The Secret”. (pausa para os comerciais do livro que desvenda o segredo por tras do sucesso de “O Segredo”)
O que o filme diz eu ja sabia. A biblia fala, a cabala fala, Lair Ribeiro fala, a fisica quantica fala, a psiconeurolinguistica fala, cada um de um jeito: o pensamento constroi a realidade. Simples assim.
A questao eh: se eh tao simples, porque nao somos todos felicissimos? Desejamos o sofrimento?
Nao, temos medo. Pensamos culpas e preocupacoes e criamos monstros. Deve ser por isso que as criancas temem ficar sozinhas, pensando. Quando crescem, nao enxergam mais os monstros que criam.
A gente pensa muito mais no que teme, no que odeia, no que nos indigna, do que naquilo que deseja. Temos que reaprender a pensar, saber querer.
O segredo explica que o pensamento desconsidera o nao. Ha que estar atento as palavras. Exemplo: nao pense num cavalo branco. Impossivel, ja foi criado, esta vivo, trotando, nem eh mais nosso.
Esse eh o poder que temos em palavras, imagens e acoes: criar mundos. Eh maravilhoso e assustador ao mesmo tempo, se aceitarmos essa premissa de forma mais radical.
Assustador porque nao controlamos totalmente nossos pensamentos, e se formos comecar a assumir a culpa do mundo por tudo que nos acontece, ai eh que vamos deprimir na hora.
Mas eh maravilhoso tambem porque podemos mudar tudo, basta criar pensamentos melhores. Essa eh a tese, ou pelo menos foi o que entendi.
A chave de tudo parece ser o humor. Porque o mau humor arrasta os pensamentos ralo abaixo, isso eh uma verdade facilmente comprovavel. E um sorriso sempre melhora tudo, gentileza gera gentileza e coisa e tal. Pura verdade, a gente sabe.
Eh que o mau humor tem certo glamour filosofico. Isso o filme nao fala, adendo meu, mas ha que abrir um parentesis para discutir o impacto da extincao do sarcasmo para o ecossistema social. Outra praga a ser erradicada, nao sem certa nostalgia, eh a maledicencia, esta velha companheira, mas eh fato que tambem nos arrasta aa baixeza, entao passemos a frequentar ambientes mais elevados. Mosteiros no Himalaia, coberturas em Manhattan, essas alturas onde todos parecem felizes e riem o tempo todo. Rico ri a toa, pode reparar. Os sabios tambem sorriem, embora mais discretamente. Estou treinando um riso budico pra ver se abunda pro meu lado.(pausa para a foto)
Porque o segredo eh o seguinte, gente: se voce nao eh feliz, finja! Aja como se fosse, sorria muito, voce percebera como eh facil enganar os outros e ate a si mesmo!
O filme fala de uma historia mais ou menos assim: um artista plastico bonito, inteligente e tudo de bom ( e aparentemente nao-gay, vejam que caso interessante!) nao conseguia arranjar uma namorada. A “terapeuta” (?) percebe que os quadros que ele pinta retratam mulheres com expressoes de desprezo, que olham atraves. Ele entao passa a conscientemente produzir quadros com mulheres olhando para ele, apaixonadas. E eis que, em pouco tempo, ele encontra o amor de sua vida.
Nao eh lindo isso? Eu quero!, pensei. Dai eu percebi que estava igualzinha. Fui ver o que andava escrevendo e, cruz credo! Eu estava escrevendo uma historia que nao queria viver. Ou antes, nao estava escrevendo a historia que quero e, modestia aa puta que a pariu, tenho certeza que mereco.
O segredo que vou confessar agora eh que, nao tendo nada a perder, resolvi fazer a experiencia. (pausa para eu pensar se vou contar mesmo)
Olha, como boa celebridade, eu nao falo da minha vida pessoal, entao vamos falar tudo de maneira generica, ok?
Digamos que ha uns meses atras eu comecei a escrever uns poemas como se estivesse apaixonada e/ou me apaixonando, poemas felizes de amor. Nao foi muito facil, ja que nao estava, mas com um pouquinho de imaginacao saiu alguma coisa.
Gentem, foi coisa de uma semana!! Vamos pular genericamente essa parte, porque essa primeira coisa nao foi assim a historia de amor da vida ainda. Isso pode acontecer, uns alarmes falsos, mas faz parte. O importante eh entrar na lei da abundancia.
Porque o que vou dizer toda mulher sabe, entao volto a falar em termos genericos: quando a gente ta em fase encalhada, nem os porteiros olham quando a gente passa. Mas quando arranja um namorado, eh batata: todos os ex-futuros-casos, peguetes eventuais, potenciais e congeneres resolvem lembrar da sua existencia, aparecer, telefonar, e ateh se materializar por acaso no meio do seu caminho. Nao ha garantia de que, dentre estes, esteja o amor de sua vida, mas as chances aumentam muito.
Entao, o que posso revelar genericamente aos leitores de caras eh que, ao que parece, o amor me achou. Ou, em outras palavras: eu dei as caras, e hoje o amor em mim abunda. Mas eh segredo, viu?
.
P.s.: Estou tentando produzir acentos com a forca( socorro!) do pensamento… aceito dicas e mentalizacoes.
.
ilustracao: Milton Dacosta

Amar eh…

ascender aa luz
amareh.jpg
foto: guga alayon

Atmosfera

atmosfera.jpg
No Rio faz sol e frio.
Meu nariz estah gelado,
meu coracao, quentinho.
Ainda eh outono e o inverno promete
ondas de frio e de calor, serah?
O futuro… como sabe-lo?
O inferno sao os outros e aqui dentro
meu gelo
derrete
.
(esta eh minha singela contribuicao ao blog coletivo atmosfera. Deem uma respirada por la pra sentir o clima.)

Minha mae nao quer mais escrever aqui porque nao tem acento, e eu nao sei resolver este problema, ou talvez nao esteja me esforcando (com ce cedilha, do contrario estaria quase me enforcando)… Portanto, a felicidade da minha progenitora nao parece tao completa, falta-lhe ao menos um til, um craseado qualquer. Talvez falte mais coisa, como um bonito presente de dia das maes, que eu confesso que nao dei, ja que estou dura, o que ela entendeu perfeitamente mas deve ter invejado secretamente outras maes menos compreensivas e mais sortudas, que ganharam sapatos, tvs de plasma, joias, e os onipresentes celulares, que nessa epoca se reproduzem celularmente em mitoses freneticas invadindo os outdoors e pontos de onibus, fazendo-nos crer que nenhuma mae pode viver sem um modelito rosa perolizado com tocador de mp-caralho-a-4 para falar em dobro por metade da tarifa pra ate 2 numeros de sua escolha.
Minha mae ficou sem escolha dessa vez, teve que aceitar silenciosamente seu carma de mae de escritora. Quando crianca, fazia-lhe versinhos nessas datas, ela fingia gostar, quem mandou? Eu acreditei e ate hoje ainda estou nessa. E pior que esse ano nao fiz poema, vou ver se engano agora com um hai-quase de improviso:

Mao unica

HandArt.jpg.
mae eh uma mao impar
sendo unica, troca fralda
e ainda bate palmas
.

Meu garoto!

monalisa.jpg Estou convencida de que o tao falado sorriso da Monalisa nao passa da cara de orgulho de uma mae – mal disfarcada pelo tenue veu da modestia – ao vislumbrar a genialidade de seu filho. Deve ter sido a cara que a mae do Da Vinci (Dona DaTrinta) fez ao ver o primeiro desenho do moleque. Eu sei porque volta e meia me pego disfarcando o sorriso desse mesmo jeitinho.
Ontem o meu Leonardo me deu de presente uma de suas muitas esculturas, um dragao feito de garrafa pet recortada, com as asas retrateis. Ainda montou uma caverna-instalacao na minha estante, como moradia para a criatura. Nao publico uma foto porque nao ganhei de dia das maes um celular com camera. Mesmo assim, estou uma perfeita Gioconda.

arritmetrica

chao.JPGa poesia faz caber
dois inteiros mais a lua cheia
em um quarto
crescente
sol nascente colorindo o zinco
ao branco do meio
dia
a metade do meu caminhar
um pe em cada
meia
minha mao
na sua
pra atravessar a rua
poesia nao presta contas nao cabe
so sabe fazer amor e arte
de modo que
quem parte pode ser
maior
que o todo
.
foto: guga

Lixo: Reduza
Agua: Poupe
Verde: Preserve
Vida: Proteja
Humor: Eleve
Consciencia: Use
Amor: Abuse
TERRA: SALVE!
Faça a sua parte
Este post faz parte de uma Blogagem Coletiva pelo Dia da Terra. A proposta este ano eh que cada um crie metas concretas, em sua propria vida, para melhorar o meio ambiente. Se todos fizerem sua parte, o mundo muda. A minha meta, ja que ando a pe e tenho habitos de consumo quase franciscanos, eh diminuir meu gasto de agua. Eu amo banhos demorados, mas admito que estou sendo perdularia com um bem cada dia mais escasso. Se eu reduzir em alguns minutos minhas chuveiradas, acho que consigo uma boa economia, alem de poupar os ouvidos familiares das minhas longas serestas…
E voce, o que pode fazer? Participe. O mundo agradece.

beija~flor.jpg
o amor sorri um dia por encanto
pra sempre seja um dia por enquanto
eu ja morri um dia porem canto
~
foto: ana beatriz occhioni

surpresa

musicbox.jpg
: :
a vida eh uma caixinha
onde o espanto cabe dentro
quando fecha uma tampa abre
outro tempo
: :

sunset.jpg
morreu o amor e o que nos resta fazer
nesta terra que um dia
foi santa?
levanta-te e anda
que amanha eh sabado
aleluia
e se no domingo der praia
a gente vai ver o sol
renascer
.
.
Feliz Pascoa a todos!
.
imagem: christine hartfleet

Licenca Poetica

Estou sem o raio do ce cedilha mas voces entenderam, ne?
O que eu quero dizer eh que dou-me a liberdade de escrever tudo, ou quase tudo, o que me vai na cachola. O quase fica por conta das ideias que ficam abaixo da critica, em termos formais. Esta cheio de ideias natimortas aqui nos arquivos-rascunhos do meu blog; as vezes elas acabam prestando depois de um tempo na incubadora, outras vezes ficam la, enjeitadinhas pra sempre.
Mas quanto ao assunto, o conteudo ou a inspiracao para os textos, nao quero assumir maiores responsabilidades, nem dar explicacoes. Nao fui eu que escrevi, foi a musa, pronto. Quem se sentir ofendido (ou mesmo lisonjeado) va ter com ela, nao comiguinho.
Ha algum tempo escrevi um texto sobre sapos, e um batraquio que eu havia beijado recentemente vestiu a carapuca e me fez a maior malcriacao. Antes assim, foi logo pro brejo, de onde, alias, nem deveria ter saido.
Quero deixar claro que nao escrevo aqui pra mandar recados, quando quero dizer algo a alguem, vou la e digo, sem maiores poesias. Quando dedico meus versos a uma pessoa especifica, mando diretamente ao destinatario, para nao deixar duvidas.
O que escrevo aqui eh ficcao, uma realidade paralela que pode ou nao imitar a vida. Escrevi um poema, uma vez, sobre isso. A maioria das minhas ideias surge do mero jogo de palavras, ainda que acabe tocando os sentimentos, mas estes podem nem ser meus. Tomo emprestado, ou as vezes antecipo acontecimentos ainda latentes da minha propria vida. Verdade, mais de uma vez profetizei eventos futuros em meus poemas, mas nao faco conscientemente, claro. As vezes tambem invento mesmo, crio uma historinha so pra me divertir.
Vez por outra tambem falo a verdade, mas nao vou contar quando. As vezes nem eu mesma sei.
Isto posto, conclui-se que:
O poema abaixo pode ter sido pra ninguem. Pode ser um poema antigo, natimorto e recem-ressuscitado, dedicado a uma pessoa que ja passou. Ou pode ser para alguem que ainda nao conheco e esta chegando. Ou talvez o destinatario ja o tenha recebido, em particular.
Quem sabe?
.

ponto e virgula

; eu gosto das suas pausas, dos seus tempos brancos, seus espacos entre
adoro seus pontos exatos, suas virgulas precisas, suas poucas reticencias
amo o modo particular como voce poe os pingos nos iis
mas nao conheco seu gosto (e nem seu rosto, a bem dizer, nem sua boca)
so sei que me sabe bem
sua lingua
que eh a parte que me toca
.

a mala

 

depois que tudo

foi dito e feito

a mala ia

mas deu defeito

 

amá-la-ia

tempo imperfeito

minha desdita

tua desfeita

 

ah mal-amada

a alma não anda

se entrou de sola

sarta de banda

 

artista sola

malabarista

a vida é mola

a mala volta

 

ah mas agora

tenho mais cem

sempre há malas

que vêm pra bem

.

.

.

por aca
nada eh por aquiso
quem amiga
aviso eh
portazul.jpg
imagem: carlos lopez martinez

Feira Cosmica

feiraliv.jpg.
.
profusao fisica. quanta.
eu sou o caos
chupando manga.
.
.
.
.
.
.
.

espelho.jpg
seu susto
dando
outra face
do verso
no ato
.
seu fundo
do olho
cristalino
filme
ao contrario
.
e a lua
sorri
no ceu
da boca
de um gato
.
(foto: erica endo – mar/07)

cumulonimbus

christo.gif.
solavanca
corcova
troveja
se achega
suando
nao pinga
mas deixa
um cheiro
de chuva
.
aguaceiro vem
de uma vez
nem que seja so
chuvisco
.
pra mais de mes
que nao rola
chuveiro
no suvaco
do cristo
.

passatempo

passarin.jpg
eu tardo mas
nao me falto
invento mas
nao me iludo
passarinhos tambem passarao contudo
pelo alto
.

faz azul nenhuma lagrima pinga
a espuma branca mas o oceano ainda
nao lavou o sol
.

Dos sentidos

Eu penso assim, num poema
as palavras tem muitos sentidos, cinco sao o minimo do senso comum.
O cheiro, veja bem, nem sempre eh o que se espera: quimera suja o pe na primeira pisada em falso. E o paladar amargura, tem quem use, nao faz meu gosto; na lingua prefiro o que arde. No mais a voz da musa grafa os lotus que afloram do fundo branco dos murmurios, antes que murchem no proximo suspiro. Olha que onda, o que eu disse? nada pois, de olhos abertos sob o som pra ver que tudo. Polir o verbo bem custa e revela um certo tato e conquanto evite a rudeza nem sempre aumenta o brilho, sobretudo quando encera a falta de. quem muito lapida as vezes quebra o ladrilho
mosaico mobile tudo que se move colorido e vario encontra contratempo em sentido anti
horario
Tem outros muitos sentidos, claro, e obscuros. Figurado, por exemplo: um album para cada boa palavra na banca mais proxima.
Duplo sentido, encontram-se a dois. O verdadeiro, a sos.
Sentido fica quem sente dor de si, depois.
(o que teria sido nao sabe o que eh bom; quem nao vem, nao faz sentido)
Sentido tem aonde ir.
Sentido se encontra distraido.
Senta ai e sente o som do meu a _ _ r
no seu
ouvido
.
.
.

cogito

na duvida, seja
um so mas tome outra
cerveja
.

desfiladeiras

sobe o dia
sol no rio
rio alto
desce a noite
eu subo
no salto
baixo pista
levanto
o asfalto
sorry, periferia
eu rodo, rodo e aviso
to podendo mas no fundo preferia o seu
sorriso

havaiana.jpgse falta algo a vida
alga
salgada ao mar me arrisco
marisco
musgo me turge o escuro
musculo
espasma espanta o marasmo em meu organismo
orgasmo
liquen
faz
.
inda que tarde surja
mas em verdade uma havaiana daquela nao era pra na hora h me inventar de soltar a tira
mentira
ora ninguem por aqui eh santo entretanto
bendigo tudo que molha
o mar eh tao vasto e belo que
ve num chinelo gasto uma ilha
olha que mar
avilha
.
.
.
(foto: andre olivaes)

bem que se quis

bmq.jpg
bem-me-quer . mal-me-quer
. nem sei se quero tambem . .
vamos combinar assim:
se ainda te quero bem,
o quanto queiras a mim
de mal, te faz dor qualquer.
de bem, te faz querubim.

estac,ao terminal

quem nao entra tudo passa ontem pro amor tive coragem mas agora o teu sinal de que nao trens e fui
ac-night-train.jpg

Anjo da Guarda

 

o anjo do amor que me aguarda

pousa na guarda do rio

guarda meu beijo em seu riso

meu abraço em suas asas

 

o mar que lambe o desejo

deságua na sua praia

cada gota em que me deixo

pra molhar o seu lençol

 

banho de chuva ou de sol

onda tomara que kaya

meu horizonte a seus pés

seu céu me estrelando a areia

 

sua lira a acompanhar

meus murmúrios de sereia

~

~asas~

alekananjos.jpg
_ longe vou pisando em nuvens
ver se meu anjo me encontra ___ ~;~ _
.

k’un (a terra)

.

eu moro no fim da estrada

no começo do caminho

a mim se chega sozinho

não precisa trazer nada

,

mas seja atento em seus atos

e ao entrar tire os sapatos

.

 

 

Poesia para colorir

watermelon.jpgSol nascente para me dourar
a Lua cheia
Fruta com semente pra nascer
dentro do umbigo
Um sorriso para eu me perder
comigo dentro
.

Rubrica

marcelmarceau2.jpg(nem preciso ser a unica
em toda a sua existencia
mas sofro de urgencia organica
da suma verdade cenica)
.
.

a parte que me cabe

modestia aa parte
te quero inteiro
em mim so cabe amor verdadeiro
.

No princípio

era o príncipe

.

.

.

Mais que mil palavras

Como voces ja devem ter observado, eu sempre procuro uma imagem pra ilustrar meus textos. Acho mesmo que um texto so fica pronto quando encontro uma imagem adequada, que ilustre seu significado, ampliando os sentidos. Que nao seja obvia ou redundante, mas que abra uma nova janela de percepcao, principalmente para mim mesma. Vou ao Google como quem consulta um oraculo, procurando uma dadiva para me “ilustrar”.
Pois bem, quando fiz o peminha abaixo, a partir de um comentario do Gugala ao post anterior, fui ao Google como de costume, e nao achei nada que me agradasse. Na pressa, postei assim mesmo, e nem tive tempo de colocar um link para a pagina do Gugala, deixei pra depois arrumar tudo.
Eis que fui finalmente ‘linkar’ o Guga, no dia seguinte, e la estava minha imagem perfeita, a incrivel foto aqui embaixo!
Nem sei por onde comecar a falar da surpreendente quantidade de associacoes que esta imagem produziu em mim:
gugalafoto.JPG_ A genial composicao permite uma leitura quase ‘ideografica’ da sequencia de 3 quadros: na extremidade esquerda, uma mulher gravida; na direita, um homem em movimento, ambos encaminhando-se para a direita, ‘para a frente’ , em nossa leitura ocidental.
_ Ao centro, a imagem de uma mulher com um bebe parece estar ladeada de um homem, a imponente figura falica da antena, que tambem lembra um foguete e parece inclusive ‘romper o teto’ do quadro, acima, projetando o nosso olhar para o plano das nuvens (rosadas apesar do cinza da poluicao e do mau tempo), atras das quais sabemos haver um ceu azul, que entrevemos por uma nesga (a area azul envolve justamente a barriga da gravida, e as nuvens rosadas pairam sobre as cabecas do ‘casal’- o homem tem uma cabeca triangular, repare!, ou um chapeu de 3 pontas …).
_ A direita e logo acima do ‘terceiro quadrinho’, podemos ler a palavra AVIA (deve ser um anuncio da tv ‘bravia’, com as 2 primeiras letras cortadas pela moldura dos quadrinhos). Associacoes mil:
A VIA; hAVIA; AVIAo; AVe marIA. . .
Fui ver no dicionario o exato significado de AVIA, ou melhor, do verbo aviar, que a gente quase que so usa para receitas medicas (significado n. 2) mas, vejam so, pode ser mais coisas, segundo o Aurelio:
1. executar, concluir; 2. preparar medicamento prescrito em (receita); 3. Apressar.
Estou viajando? Claro!… mas eh isso que uma grande imagem nos faz: viajar.
Moral da historia: antes de ir ao Google, va ao Guga!
E que A VIdA nos avie os bons pressagios, ao cubo!!!
.
Ah, outro presente que ganhei por esses dias:
fotoli.jpg
A Li publicou um texto meu com esta belissima foto de Giovannisic(sic?), que igualmente merecia um post repleto de associacoes. Mas vou deixar que voces mesmos conduzam esta viagem!. . .

Antes da Conclusao

gugalafoto.JPG(inspirado pelo comentario de Gugala, no post abaixo)
Foto: Guga Alayon

Dei um templo
nada grave
to chocando
Ave
Se to na minha
nao to a toa
eu vivo solta
na boa
To na maior
me amarro em mim
se eu der um noh

No voa
:o)

Tempo de Amor

hands.jpg
Veio o amor como quem chega tarde
Trazendo flores, versos e bombons
Veio o amor como quem chega cedo
Trazendo medo, abismos e trovoes
Vem o amor e chega bem a tempo
Trazendo espaco pra mim entre as maos
.

Supernova

 

Vai nascer a Estrela

Flor na noite imensa

Milagre no exílio

 

Vai nascer a Luz

Para nosso auxilio

E há de ser Azul

 

Vai nascer o Filho

Mesmo contra Roma

E há de ser o Amor

 

Pleno há de vingar

O Bendito Fruto

Mesmo no deserto

 

Há de estar bem perto

Nossa recompensa

Ouro, Mirra, Incenso

 

Nada do que eu penso

Se compara ao brilho

Da explosão de sê-lA

.

.

.

Amém

.

~*~*~*~ Esses são meus votos de um FELIZ NATAL! ~*~*~*~
.

Deslize em Drummond

 

no meio do caminho tinha

uma perda

 

 

 

Sobre o Curso

(extraido do Tao Te Ching – traducao de Mario Bruno Sproviero)
fu.gif
CAP. XX
nao ao estudo e foi-se a inquietacao
“sim” e “pois nao” quanto se distinguem?
bem e mal como se distinguem?
o que os homens temem nao se pode nao temer?
esteril! esse nem sim nem nao
A massa efusiva e mais efusiva
como no gozo de um festim sacro
como nos altos a sagrar a primavera
so eu ancorado! nesse ainda sem auspicios…
como recem-nascido antes de se acriancar
marionete! sem para onde retornar
a massa tem o superfluo
so eu sem que nem para que
eu… que coracao de idiota
oh! confuso e mais confuso
a gente brilha que brilha
so eu ofuscado e aparvalhado
a gente vibra que vibra
so eu melancolico e mais melancolico
placido! tal qual o mar
ao vento! como sem lugar
a massa tem com que
so eu obstinado e tosco
mas so eu diferente dos outros
dignificando a mae nutriente
.

Aa Mana

CatintheLibr.jpg
(para Patricia)
Na confusa biblioteca
Eu te achei o Zaratustra
Tu me achaste o Sagarana
.

Sarau Sem Acento

womwrit.jpg
Vamos fazer um Sarau
pra exercitar nossa verve.
Verso bom ou verso mau,
nao importa, tudo serve.
So nao vale acentuar,
que o blog estah com defeito;
nem adianta tentar
que o til nao sera aceito…
nem a cedilha ou o trema,
nem acento agudo ou grave,
entao mande o seu poema
mas livre-o deste entrave.
Sem acento mas com arte
assim eh o nosso sarau:
cada um faz sua parte
neste rico festival.
Traga aqui sua poesia
pra compartilhar com a gente
seu humor, sua alegria,
seu amor triste ou contente.
Este evento nao tem hora,
basta aparecer e pronto.
Este eh o momento, vambora!
Venha logo ao nosso encontro.
Sua presenca eh bem-vinda
e me faz muito feliz.
Apareca hoje ainda!
Beijos e abracos, Chris.
.
(Pra quem nao conhece o esquema do sarau, eh o seguinte: deixe sua contribuicao na caixa de comentarios, que depois eu publico tudo na pagina principal)
.
Ilustracao : “Femme Ecrivant”, P.Picasso,1934 .
Obs: Hoje Picasso estaria fazendo 125 anos.

……………………………………………………………………………
Posted by Nelson Moraes at outubro 23, 2006 7:04 PM:
ODE AO TECLADO
Mas um sarau sem acento
Onde eh que jah se viu?
Onde estah o cabimento
de escrever naum sem o til?
O acento agudo cortar
E em vez dele “h” (puro engano!)
Dando ao adverbio “jah”
Nome de deus jamaicano…
Entretanto este atrapalho
Vira vantagem – ou quase
Pros que sofrem pra car…amba
Na hora de usar a crase.
Por isto a ode ao teclado
Que os acentos todos dizima:
A gente escreve errado
E inda pena pra achar rima!
Oh, meu teclado sem nexo
Naum imite os gringos em tudo
Eh taum belo um circunflexo
Que beleza um acento agudo!
Rogo a Chris perdaum sentido
Por neste sarau fazer feio:
Sem acento estou desvestido
E pelado naum poemeio!
:-)
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 23, 2006 8:14 PM:
Este Nelson Almirante
eh uma grande figura!
Sujeito muito galante,
de elevada cultura.
Rapaz loquaz, inzoneiro,
de talento sem igual,
tinha que ser o primeiro
a aparecer no sarau!
Modesto como ninguem,
ainda se faz de rogado:
banca o feio e manda bem,
em sua Ode ao Teclado!
;o)
……………………………………………………………………………
Posted by arrudA at outubro 23, 2006 8:36 PM:
meio a meio
poema meu
poema
alheio
via lactea
via email
me veio
nem virgula
nem medo
de nada
no meio
disso tudo
que sorteio
esse sarau
doce
tiroteio
beijo de arrudA
.
ps da bula
lactea
aqui rima com
santa
seia
assim a minha
virgula
aqui se rima
com a sua
gula
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 23, 2006 8:48 PM:
arrudA
sabe a folha
de sabor
doce / salgado
arrudA
sa’bio poeta
ilustre
iluminado
praticamente um budA
……………………………………………………………………………
Posted by arrudA at outubro 24, 2006 12:50 AM:
ainda descontento
assunto outro
assunto
vento
esse sim cem
porcento
sem
assento
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 24, 2006 1:10 AM:
com licenssa eu vou arrudA
.
quem foi ao vento perdeu
esse sarau sem assento
e quem se deu bem fui eu
……………………………………………………………………………
Posted by Inagaki at outubro 24, 2006 3:11 AM:
Nem sempre funciona bem
Esse tal de Movable Type.
Mas nada como um belo sarau
Com poetas de fino naipe
Para a gente se esquecer
Do motivo desse stress.
Quem sabe, dona Christiana,
Se migrares para o WordPress
O aporrinhamento se resolve?
Enquanto isso, nada que uma boa peleja
Entre versejadores embriagados
Possa resolver, entre versos e cerveja…
E depois, basta selecionar as palavras
De modo que acentos e cedilhas
Tornem-se luxos a se descartar
Em meio a rimas e redondilhas.
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 24, 2006 4:10 AM:
Mestre Inagaki-san
como posso fazer frente
a seus inspirados versos,
e na falta dos acentos,
sem usar lingua malsan,
com erros de portugueis
e os pecados mais diversos?
Pois o resultado eis
e espero que represente
os meus agradecimentos.
Concordo, meu bom amigo:
o Movable Type anda arisco,
dando um monte de defeito,
no entanto temo o risco
de mudar mais uma vez.
Pois imagine comigo:
vai que em vez de uns sinais
(o que, afinal, dah-se um jeito)
ainda perco muito mais
– o contato com vocez?
……………………………………………………………………………
Posted by S Leo at outubro 24, 2006 10:32 AM:
Vou me assentando tranquilo
nessa festa sem acento
se perguntam por que fi-lo
que desejo ou pensamento
me trouxe a esse sarau
que aboliu o circunflexo
o til, o agudo, o iscambau,
essas coisinhas sem nexo
Digo que venho por tara
de ver a velha gramatica
despida, com nova cara
sem a mania antipatica
de marcar o que e escrito
com sinais, penduricalhos
que deixam o estudante aflito
que confundem os pirralhos
Mas vejo que me atrapalho
como inventor sem juizo
como macaco sem galho
como sinal sem aviso
Pois sem acento confundo
a mulher do velho, veia
com veia, vaso profundo,
tudo embaralha a ideia
Entendo vogal aberta
como se fosse fechada
nao sei a pronuncia certa
nem qual a palavra errada
Tento um truque bem antigo
que um velho teletipista
ensinou, meu velho amigo!
(conheci numa revista)
O truque eh usar o “H”
no lugar do acento agudo
Idehia melhor nao hah
mas nao soluciona tudo
Quem sabe meu filho ensina
a lingua que uma menina
lhe passou pela Internet
(rapaz, ele pinta o sete!)
Para a negativa, naum
o resto naum sei, nem gostei
de tamanha confusaum
com a lingua que sempre amei
Volto ao teletipista
esse verdadeiro artista
que com grande maestria
em toda lingua escrevia
Para a crase eu dobro o A
e, aa toda velocidade
caminho, de lah para cah,
desconsolado, eh verdade
porque a falta dos acentos
eh problema insuperavel
e em meio a tantos tormentos
fiz esse texto execravel.
……………………………………………………………………………
Posted by arrudA at outubro 24, 2006 12:33 PM:
quem se arrisca
no rabisco
corre sempre algum
risco
movable type
tipo isso
chamar maria
de corisco
……………………………………………………………………………
Posted by: claudio gama lobo at outubro 24, 2006 12:43 PM:
Voce sabe, minha amiga,
Que poeta eu naum sou
Como eu faco entaum, me diga
Um pereba naum faz gol
Quando muito, eu arrisco
Umas letrinhas no escuro
Saum a esmo, sem capricho
Pois somente eu escuto
Quis mandar uma que fiz
Para uma voz feminina
Mas achei que naum condiz
Passei a borracha por cima
Vou parar com esta gracinha
Sem acento e sem encosto
Antes queu desperte a ira
Dessa gente de bom gosto
Gostei do sarau via web
Ido a um eu nunca tinha
Quando houver outro me leve
Soh pra ouvir, sem coisa minha
……………………………………………………………………………
Posted by MarcosVP at outubro 24, 2006 12:47: PM:
REPENTELHO
Eu que venho do norte,
bem de riba do Brasil
vou jogar a minha sorte
num repente varonil
pra mostrar nesse momento
que mesmo sem ter acento
faz-se o que nunca se viu
trovejo, rimo e ponteio
de todo jeito e qualidade
versejo, bonito e feio
e verborreio em quantidade
e assim, jogando sem pena
as palavras nesse poema
lhes confirmo essa verdade
tem palavreado mui rico
nossa portuguesa fala
e mesmo se sem acentos fico
nem assim mi’a verve cala
tudo tenho na cachola
e vou dando tratos na bola
tirando mil versos da mala
e educado, quero agradecer
por este nicho faceiro
que se abriu para eu escrever
esse meu verso fuleiro
tenho aqui toda a alegria
amizade, prazer e “furria”
que valem mais que todo dinheiro.
MarcosVP.
……………………………………………………………………………
Posted by Marcos Chrispim at outubro 24, 2006 1:11 PM:
(meus queridos co-poetas
de tao elevada patente
me permitam introduzir-me
um tanto humildemente
sei que o assunto nao eh doce
mas eh de alta gravidade
– e ainda que nao fosse,
tem muita atualidade –
sendo assim, sem mais demora
apresento alguns versinhos
que andei escrevendo outrora
e ajeitei hoje cedinho
o nome do meu poema
eh “TIO SAM” – dedicado
ao nosso irmao do norte,
tao generoso e amado:)
==============
“Eu tenho um tio
muito irreverente –
so de sacanagem,
poe mercurio no meu tomate
e chumbo na pasta de dente!…
Titio eh sensacular
– ele eh espetacional:
a oito mil quilometros,
le o brilho dos meus olhos
e a manchete do jornal…
Diz que roupas devo usar,
qual a melhor conducao,
que musicas posso dansar,
me ensina alimentacao,
me empresta dinheiro (a juros),
me da toda orientacao!
Titio eh cosmopolita –
ele estah em toda parte
(ou, pelo menos, quer estar):
esteve na Lua, esteve em Marte,
Coreia, Vietnam, Bagdah…
Manda tres mil empreiteiros
pouco depois do ataque
pra fazer pistas e pontes
no deserto do Iraque!
(Como eh aereo esse meu tio…
mandar fazer ponte sem agua!
Coisas doidas, como fez
ha tempos la em Managua…)
Sujeito incisivo taih –
parece mocinho de bang-bang:
se nao ha rio, faz um –
de lagrimas…
Se nao ha lagrimas, faz um
de sangue!”
.
CARA AMIGA CHRISTIANA,
DE TÃO NOBRE OBJETIVO,
FAÇO AQUI UM TESTE SIMPLES
DE MODO QUASE FURTIVO
É QUE, A MENOS QUE ME ENGANE,
EM MAIÃsˇSCULAS ESCREVENDO
O SISTEMA QUE SE DANE
E OS ACENTOS EU VOU VENDO…
ME CORRIJA CASO ESTEJA
ESTE AMIGO ENGANADO
MAS ME PARECEU QUE HAVIA
A SOLUCÃO ENCONTRADO!…
……………………………………………………………………………
Posted by gugala at outubro 24, 2006 3:58 PM:
100 acento
puro acinte
100 assento
pro ouvinte
100 acento
claro escarnio
100 alento
pro capricornio
sem acento
eu me sinto
um trapacento
e sem pinto
.
sem acento
fico atonito
tanto lamacento
quanto atonico
sem acento
me sinto atavico
do purulento
e do muito ataxico
sem acento
pouco atico
qual xexelento
e pouco pratico
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 24, 2006 5:10 PM:
Meus amados, mil perdoens
pela demora em postar
eh que a minha internet
esteve o dia inteiro
flanando fora do ar
e agora me compete
dar um retorno maneiro
mas saum tantas emossoens…..
.
Sergio Leo, nem sei que digo…
teu talento, meu amigo
me deixa ateh sem palavra!
os versos da tua lavra
teem verve e humor genial
teem ritmo e sentimento
e ateh de um mote fraco
como a falta de acento
sabem fazer grande arte!
Pois eu cah de minha parte
desconfio do meu taco
mas digo que ehs o tal!
.
arrudA sempre me ajuda
a coriscar mais um risco
.
Claudio eh um fingidor
que finge naum ser poeta.
Sua arte eh mais completa,
porque a musica eh poesia
encantando a melodia
com palavras de amor
.
Marcos VP, que eh nortista
e antes de tudo um forte
mostra que um grande artista
com nada se apoquenta.
Sem acento, naum se assenta
e o entrave vira mote
pra disparar o repente:
lah vem ele, sai da frente…. ;-)
.
Outro Marcos, mas Chrispim
Vejam que grata surpresa!
Um grande espanto pra mim
foi descobrir, que beleza,
que o rapaz eh bom poeta!
Ohtimo esse seu Tio,
sujeitinho radical.
Fiquei passada com o rio
do desfecho – magistral!
.
Guga
poeta-arquiteto
constroi poema
concreto
esteta do sintehtico
atleta do sinteco
eco eco eco
ao cubo
ente 100 precedentes
100pre
100sacional
.
……………………………………………………………………………
Posted by Marcos Chrispim at outubro 25, 2006 2:24 AM:
Mas que ingenuidade a minha!
Querer achar a saida
pro problema dos acentos
numa unica investida…
Ja tentaram, uns duzentos!
(achei que usando maiusculas
no site dava um quinau
e ainda ganhava um osculo
da dona desse sarau)
se enlutou minha pessoa
ao ver que o truque naufragou –
mas eu nao me dobro a toa
e outro jeito ainda dou…
……………………………………………………………………………
Posted by Jair Portela at outubro 25, 2006 7:34 PM:
Uma vez tentei fazer poema
Cocei a cabeca, machuquei os dedos
A ponto de produzir um edema
E nada. Texto pobre, cheio de medos.
Entao parti para a folha aberta, franca
Disse-me: “vou escrever cronica”.
Ai olhei aquela imaculada folha branca,
E zaz! Risquei em velocidade supersonica.
O que escrevi nao lembro, de certo foi vago.
E tambem nao era bem o eu queria.
Queria fazer rir, chorar,produzir algum estrago
Desta forma como falo, sem muita alegoria.
Assim,um dia me acho, outro dia me perco.
Escrevo um texto assim, outro assado.
Mas ate agora ninguém jogou esterco,
E penso que achei qual o meu lado.
Escrever, escrevo, mas por um triz,
E o que faço nunca reviso para arrumar.
Fiz estas “coisinhas” a pedido da Cris
E já não tenho muito mais para rimar.
……………………………………………………………………………
Posted by Herbert Farias at outubro 26, 2006 10:35 AM:
Tentei escrevinhar ponde de lado acento e til
cedilhas atirei em meus por? pra mais de mil
Mas fato ?ue n?ando muito em paz com as internetes
E gosto, por pirra? de esnobar suas enquetes
Motivo por que fa?destas linhas minha aposta
Fiel a meus acentos h?e ser minha resposta.
E a nobre Christiana h?e ser a testemunha
Da mor dificuldade que ?ompor, mais que eu supunha
Estrofes varonis se n?h?is que as adornem
E tal qual bom rebento, meus acentos ao lar tornem!
Que a bela flor do L?o sem sinal que a esclare?
Parece mato reles que por m?oice pere?
E praza aos c? que a musa Christiana n?se ofenda
Se nego meu gosto pleno pela causa dessa agenda
Que mede em dias t?breves a vida de um idioma
Em nome desses chav?que me parecem mera soma
De v?os dos tais programas que n?querem se adequar,
E volto aos por?aflito, que as cedilhas vou salvar.
……………………………………………………………………………
Posted by christiana at outubro 26, 2006 5:57 PM:
Amigo Herbert Faria
Eu juro que preferia
escrever corretamente
utilizando os acentos,
contudo a realidade
eh que o raio do sistema
naum quer, o mal-educado!
E observo tristemente
que o seu belo poema
ficou todinho truncado…
.
O meu amigo Chrispim
tentou e naum conseguiu
driblar o tal do defeito
mas jura que naum desiste
ateh descobrir um jeito…
esse cara naum existe!
.
O Jair jah fez ateh
castelos de guardanapo
mas a modestia eh seu lema
e agora vem com esse papo
de que escreve assim assim…
que mentiroso ele eh! … ;o)
……………………………………………………………………………
Posted by dado at outubro 29, 2006 4:01 AM:
demorei a enviar, meu tempo eh lento.
mas quem tem arruda nao se aperreia.
esse poema foi extraido de um poema dele, grande poeta com nome de planta.
a vida invade
e se a vida invade
deixar que a vida invada
feito ar
ou feito agua
se a agua passar do peito
se o jeito for afogar?
nada
……………………………………………………………………………
Posted by dalva at outubro 29, 2006 10:50 AM:
A OLIVETTI ARGENTINA
Eu tive uma maquininha,
Olivetti da Argentina
Que ganhei de formatura
De um cardiologista emigrado.
Nela, escrevi poemas,
Resolvi nossos problemas,
Copiei tangos, boleros
E receitas de empanada.
Nela, eu datilografava,
(Ainda nao digitava)
Longas listas esquecidas
Sobre gentes e lugares.
Em Buenos Aires, La Boca,
San Rafael em Mendoza,
Vinho, churrasco, puchero,
O mate amargo, a poesia.
Fronterizos, Chalchaleros,
Carlos Gardel, Los Nocheros,
Mercedes e Julio Sosa,
Cambalache, Caminito.
Nela, eu louvei Guevara,
Neruda e Violeta Parra,
Martin Fierro e San Martin,
Boca Juniors, River Plate.
“Uno busca lleno de esperanza”
Canta um tango, na lembranca,
Passou o tempo e agora,
Eu estou aqui: e agora?
……………………………………………………………………………
Posted by Marcos Chrispim at outubro 29, 2006 12:37 PM:
haikai meteorologico
PASSA DEPRESSA
DEPRESSINHA
DEPRESSAO
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Posted by christiana at outubro 29, 2006 9:29 PM:
Quase no ultimo ato
vem quem nao tinha chegado
meu irmao-amigo Dado
cineasta-ator-poeta
Gentileza de profeta
e difusor de Boato
trazendo em sua poesia
agua, ar, luz, poeria
e um raminho de arrudA
– pois planta boa dah muda!
.
A grande Dalva Ferreira
minha mui querida Dal
escritora de primeira
traz poema genial
sobre a sua Olivetti
maquininha argentina
(gente coisa eh outra fina!)
dos tempos pre-internet
.
Marcos Chrispim, que tem pressa
em curar a depressao
fez um haicai bom aa bessa
para a nossa diversao
.
Nao eh por nada nao, meu povo
mas o Sarau tah demais!
O Lula ganhou de novo
o cargo de presidente
mas eu ganhei muito mais:
a poesia dessa gente
que veio, viu e venceu
a vergonha, a timidez
pro deleite de voces…
e a mais feliz sou eu!
Ateh agora foi ohtimo…
e quem vai dizer o prohximo?
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Posted by Erica at novembro 1, 2006 11:48 PM:
Tudo sem acento,
que desafio !
pra que esperar?
preciso falar
100 por cento
no meu derradeiro alento
da lua,
distante
fora do alcance
da agonia
que me maltrata
e esconde no meu peito
a saudade
do teu cheiro
do teu beijo
urgente
veneno
que me vicia
e me faz esperar noite e dia
por um gesto seu
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Posted by christiana at novembro 2, 2006 4:16 PM:
EriQuinha, que alegria
Seja bem-vinda ao Sarau!
Doutora em coisas do peito
demonstrou que leva jeito
pra falar de sentimento
(posto que poeta e louco
todo mehdico eh um pouco)
E pra curar sua loucura…
sinto muito, nao tem cura!
mas tem algo que alivia:
Jah que o amor nao tem assento
Que nos alente a poesia!
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Posted by S Leo at novembro 2, 2006 9:02 PM:
Ficou bonito o sarau
minha cara Christiana
mas se pensas que me engana
com essa manha genial
percebo que comecaste
de fato apenas de festa
mas logo improvisaste
como minha trova atesta
e paralisaste tudo
o sarau como pretexto
ficou todo o resto mudo
teu blogue sem novo texto
agora tu, preguicosa
comentas apenas os amigos
tua verve saborosa
descansa em posts antigos
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Posted by christiana at novembro 6, 2006 3:28 PM:
Tem razao o Sergio Leo
quando diz que ultimamente
calei o verso e a prosa
e tenho vindo somente
comentar cah no Sarau…
Amigo, nao leve a mal,
nao me entregue ao bedel
e nem avise a policia!
Assumo: sou preguicosa
e bem sei que a preguica
eh pecado muito feio.
Porem, jah que voce veio
ajude esta sua amiga
a ludibriar o povo
c’um versinho picareta
pra fingir que sou poeta
afiada no repente.
Nao tenho grande talento
e nem tampouco juizo
contudo sou persistente
e tentar, eu bem que tento…
portanto, Sergio, me diga
mais um verso de improviso
que eu comento aqui de novo!
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Posted by dalva at novembro 8, 2006 7:35 AM:
HIDROGRAFIA
Eu vivo a vida em verso,
Ainda que fale em prosa.
Vou correndo como o rio
De aguazinhas obscuras:
Nem sempre vem coisa boa,
Tem sujeira e tem tapera.
Tem tranqueira despencada,
Das beiradas corrompidas.
Nem sempre fala do amor,
Do abandono, da tristeza.
Mas fala somente daquilo
Que arrasta pelo caminho.
Eu vivo a vida em verso,
Ainda que fale em prosa:
A hidrografia do poeta
Sucede conter poesia.
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Posted by Marcos Chrispim at novembro 8, 2006 3:13 PM:
Minha cara Christiana,
que eh versada em prosa e trova
e sempre tem poesia nova
pra botar nesse sarau –
por favor nao leve a mal
minha humilde intervencao
mas tenho uma intuicao
(e essa nunca me engana)
que a vontade desse povo
que gosta de versejar
e o mundo encantar
com seus ditos inspirados
eh ter livros publicados –
reunir os seus poemas
e armar um bom esquema
pra fazer tudo de novo…
Por isso pergunto agora,
sem ser inconveniente:
como exibir essa gente
a todos, sem mais demora?
Qual sera esse caminho?
Estar no ciberespaco
sem duvida ja eh um passo
mas nada como um livrinho!
Acaso seria viavel
uma edicao coletiva
feito cooperativa
memo que despretensiosa?
Porque acho inaceitavel
um acinte, um disparate
que gente desse quilate
ainda nao esteja famosa!…
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Posted by sergio leo at novembro 9, 2006 7:51 AM:
Ai Chris, desta vez fui eu
quem fugiu do desafio
o trabalho me prendeu
nem me deixa dar um pio
por isso, desconsolado
deixo a trova proutro dia
em que, menos atolado,
eu volte para a alegria
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Posted by Andrea Pacha at novembro 11, 2006 4:10 PM:
E antes de tudo
Era o Verbo
Sem acento
Sem cedilha
Sem excesso
Pra que complicar?
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Posted by christiana at novembro 13, 2006 1:10 PM:
Bom poeta aa casa torna
como provam Sergio Leo
a Dalva e o Chrispim
Ou entao vem de surpresa
como a Andrea Pachah
a tempo da sobremesa
que esse caldo nao entorna
Sarau de bamba eh assim
e este nosso tah que tah
mas nao somos de escarceu
vamos na boca pequena
Concordo meu caro Marcos
que o grupo aqui reunido
eh tao bom que merecia
ser noticia aos quatro ventos
mas meus recursos sao parcos
bem mais do que os meus intentos
entao a nossa poesia
periga cair no olvido
a nao ser que um editor
do tipo que a sorte gosta
de estilo visionario
que em aventuras se jogue
buscando algo diferente
venha parar ca no blog
e, lendo, caia de amor
pelos versinhos da gente
Vejamos sua proposta:
um contrato milionario
pra gente viver de brisa
da furia que abrasa a alma
da cama que nos acalma
da cisma que poetiza
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Posted by QUINHA at novembro 22, 2006 2:48 AM:
Olhar nos seus olhos de menino,
aperta forte o meu peito.
Sorriso marcado no rosto,
esconde todo o teu medo.
N?me pergunte mais se vais morrer.
Com puro veneno,
mata teu destino na veia.
N?vai embora,
fica um pouco mais.
N?quero um ponto final.
Quero despertar
e ver que tudo ?gual.
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Posted by Sergio Leo at novembro 23, 2006 4:46 PM:
Dona Chris, que aconteceu?
cansou da vida blogueira?
Ou o problema sou eu,
aqui sem eira nem beira
pensando em outros aflitos,
no bando que sofre calado
vendo, assim, abandonado
um de seus blogues favoritos?
Sem alento, sem carinho
(e sem acento, coitadinho)!
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Posted by Biajoni at novembro 24, 2006 5:44 PM:
lição de poema:
fácil fazer um poema:
escreva uma frase
qualquer, rime com ema,
procure não usar crase.
manda o figurino que
cada verso tenha sete
sílabas – mas nem precisa:
os dois últimos têm oito.
sete ou oito, não importa
(que tenha nove, ou cinco)
nem a rima, essa é morta
a diferença é o som.
(é assim desde Drummond)
divida tudo em versos
de quatro só para ficar
bonito; uns esparsos
fazem ficar esquisito.
como tem pouca gente
que realmente entende,
faça cara de letrado
e todos vão te achar poeta nato.
:>)
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Posted by christiana at novembro 13, 2006 1:10 PM:
Biajoni, tua receita
de poema eh inspiradora
e o que dizer da doutora
Quinha e seus versos de amor?
O Sergio Leo reclamou
que eu abandonei o blog
e antes que alguem me jogue
mais queixumes na caixinha
assumo que a culpa eh minha
mas rogo por paciencia:
eu tardo mas volto um dia
felizmente a poesia
tem um apelo mais forte
do que a minha indolencia
e minhas letras incertas
sou uma blogueira de sorte
pois visitam-me poetas
de elevado gabarito
e o sarau segue bonito
tanto assim que resolvi
agora e daqui pra frente
ter um SARAU PERMANENTE
acontecendo aqui
nesta pagina eu reuno
este sarau e os antigos
tornando sempre oportuno
poetar com os amigos
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Posted by Sergio Leo at novembro 25, 2006 6:58 PM:
Chris, por artes da Internet
com o tempo pintaste o sete
Distraido, o Bia ignora
que o saite bota acentos fora
escreveu bem, como quis
(versos belos, quero bis)
mas tu, Chris, nem sei que jeito
deste aqui, mas foi bem-feito,
para responder, num dia,
semana antes do post do Bia.
no vinte e quatro ele escreveu,
e, antes, no dezessete,
o seu post respondeu
coisas, mesmo da Internet,
como eu disse, no comecinho
deste texto, bem bobinho.
O fato eh que ando intrigado
com esse blogue enrolado
que, em acentos, sempre falha
e o tempo, agora, embaralha
(mas, carece que se diga
pra agradecer a essa amiga:
bem bolado, este sarau
que segue, sem ter final)
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Posted by christiana at novembro qualquer coisa
Sergio, foi um ato falho
Copiei um cabecalho
mas dancei no quebra-galho
fiz o maior embaralho
troquei alho por bugalho
e se meterem o malho
reclamando que eu espalho
datas falsas e o cascalho
demonstro que pouco valho
fujo no primeiro atalho
e dou uma de espantalho:
confundir eh o meu trabalho…
:)

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Leitura labial

warhlips.jpgDeixei-me levar por seus olhos
por seus la’bios, sua la’bia…
nao devia, pore’m fiz!
Posso nao ter sido sa’bia
mas, confesso, fui feliz.
.

Tanto amor que tem

milh_periq.jpgTem amor que da e passa
Tem amor cheio de graca
Tem amor que faz chorar
Tem amor que faz um bem
Tem amor igual a cem
Tem amor que eh um soh
Tem amor que eh o tal
Tem amor que faz um mal
Tem amor ainda pior
Tem amor que eh nostalgia
Tem amor quem sabe um dia
Tem amor que eh pra ja
Tem amor que doi no peito
Tem amor que nao tem jeito
da gente deixar de amar
.
(perdoem o mau portugues, nao preciso dizer que continuo sem acento)

Os pahssaros

Continuo sem acentos, e fico pensando em formas de substitui-los, quando necessario. Verdade que alguns podem ser totalmente prescindiveis, enquanto que outros fazem a maior falta. Entao vamos ter que usar a imaginacao pra distinguir – sem ter grampinho nem chapeuzinho – a vovoh do vovot. Ou ainda uma refrescante agua de coco de uma indigesta agua de … assento, como a que devia jorrar da ducha-do-Duchamp aih embaixo.
.
A tucanada voltou a aparecer, um bando de uns cinco ou mais, e ficaram posando diante da minha janela. Como jah nao era surpresa e eu estava ocupada, entrevi com a visao periferica mas demorei um instante pra olhar. Eles desandaram a gralhar, grasnar, cacarejar, ou o que seja a voz de um tucano indignado; um barulho incisivo e desagradavel.
hitchcock_birds.gif
Meio sinistro, me lembrou os passaros do Hitchcock, ou ainda Saura: Cria cuervos…. y te comeran los ojos.
Comecei a acreditar naquele negocio deles comerem os ovos dos outros passarinhos….
Tenho que confessar:
MANHE, EU TO COM MEDO DOS TUCANOS!!!!
.
E agora o medo eh serio.

Sem assento

Fountduch.jpgVoces viram o que aconteceu com os acentos do blog? Nao sei se tentaram ler o ultimo post – chamava-se “equinocio”, mas com acento…
Nao, nao fui eu que pirei e resolvi escrever haicais diretamente em japones.
O que ocorreu foi um upgrade malfadado no sistema do blog, que agora nao reconhece acentos, e pior que nao tem como reverter para a confiavel versao anterior. O tal ultimo post, o primeiro editado diretamente no sistema novo, ficou ilegivel, ateh porque era cheio de acentos. Tentei deletar e nao consegui, o raio do sistema ainda por cima eh desobediente e simplesmente se recusou. Tenho que me conformar em ficar olhando para este blog hieroglifico…(update: agora deletou, ufa! vai entender…)
A moca (eu queria usar um ce-cedilha nesta palavra, mas nao foi possivel) do meu provedor disse que vai tentar resolver.
E enquanto isso eu fico aqui, indocil (que, sem acento, lembra imbecil), sem um lugarzinho tranquilo onde me assentar…

Az?as

Pois é, saudades do blog.
tucano_bico_preto.jpgAté fora do ar ele ficou, tadinho, estourou a banda! Sei lá o que é isso, mas deve doer. Agora já voltou, é claro, senão você não estaria aqui. Deve ser por excesso de comentários-spam, estou sendo torpedeada por esta praga do marketing pirata! Andei jogando fora uma tonelada deles e ainda tenho montanhas, socorro! Tive até que fechar algumas caixas de comentários especialmente vulneráveis a ataques. Não sei por que os spammers preferem alguns posts, como “Here comes the sun”. Foi uma bobagem eu ter botado um título em inglês, acho que é por isso, afinal os spammers vêm sempre através do google. Ou talvez estejam precisando de um solzinho… ah, sei lá. O fato é que, se você quiser comentar um texto antigo e não conseguir, a razão pode ser esta: o pobrezinho sofreu estupro virtual e está temporariamente fora combate. Até eu descobrir como defender minha querida folha nóvoa da poluição googlesca, vou ter que fechar umas portas, fazer o quê? Mas estou aqui, no e-mail de sempre e, se possível, pelo menos nas caixas de comentários mais recentes.
.
Você já viu uma revoada de tucanos no seu jardim? Eu já, ontem mesmo. Veio um, depois outro, chegaram a 4 ou 5 (não consegui contar direito porque eles dançavam muito). Foram comer na jaqueira mas toda hora pulavam na árvore desfolhada ao lado, os exibicionistas; não gostam que a vegetação esconda suas cores. Meu irmão me disse que eles comem ovos de outros passarinhos. Fiquei tensa um instante mas depois decidi que só pode ser mentira, intriga da oposição. Eu perdôo os belos porque, como diz um (belo, por sinal) amigo meu, a beleza me comove.
(e não vejam aqui conotações políticas, eu não tucanei. mesmo com toda lama, ainda sou de esquerda!)
.
No mais, amanhã é primavera. Here comes the sun, tchurururu. Ai, sai pra lá, Spammer, desencosta!
Here comes the sun, and I say: It’s allright, tchururururururu….

Dos males, o melhor

abyss.jpgQuem não abeira o abismo não despenca
.
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.
.
.
mas só quem arrisca a queda
abre as asas

Meu pai mandou-me hoje o poema abaixo, escrito por D. Pedro I, por ocasião do falecimento de sua esposa Leopoldina:
Leopold.jpg“Deus Eterno por que me arrebataste
A minha muito amada Imperatriz?
Tua divina vontade assim o quis?
Sabe que o meu coração dilaceraste.
Tu de certo contra mim te iraste,
Eu não sei o motivo, nem que fiz,
E co’aquele direi, que sempre diz:
Tu m’a deste, Senhor, tu m’a tiraste!
Ela me amava c’o maior amor,
E eu nela admirava a honestidade:
Sinto o meu coração quebrar de dor.
O mundo não verá mais n’outra idade
Modelo mais perfeito, nem melhor
D’honra e candura, amor e caridade.”
Dom Pedro I (1798 – 1834)

.
Agora veja a cara dura do gajo: depois de adornar-lhe a coroa com vastos chifres por anos, ainda faz à pobre um mau soneto, de pé quebrado (repare que ora tem 10, ora 9, ora 11 tempos, ui!) e rimas indigentes… e pra dizer que lhe admira… a HONESTIDADE??? Honestamente… se fosse comigo, vinha puxar-lhe as suíças toda noite! Ou melhor, não vinha nada, largava o traste e evaporava rapidinho, exatamente como ela fez. Como diz um amigo meu, muito educado: Olha, você fica aí, que eu vou à merda!
.
Você sabia que foi D. Leopoldina quem primeiro assinou a Independência do Brasil, a 2 de Setembro de 1822, portanto cinco dias antes do famoso grito de D. Pedro? Ele foi a São Paulo, que na época ficava longe do Rio, e ela ficou ocupando interinamente o trono. Quando soube que Portugal preparava uma ação contra o Brasil, teve que tomar a decisão sozinha, antes de consultar o marido, que só foi alcançado pelos mensageiros cinco dias depois, às margens do Ipiranga, onde deu-se então a famosa cena que todos conhecemos.
Mas esta honra, de ter sido a responsável primeira pelo ato da Independência, seu lacrimoso marido não teve a grandeza de lhe atribuir em seu soneto funéreo. Preferiu que ela passasse à história como corna mansa, cândida e caridosa, e, como sempre, a voz do macho falou mais alto…
“Laços fora, soldados! Pela minha honra, pelo meu sangue, pelo meu Deus, juro fazer a independência do Brasil!…” e por aí saiu gritando nosso loquaz imperador, tomando para si todo o mérito da coisa.
.
Deixa estar, Leopoldina, que a vida é locomotiva e um dia você vai apitar!

O.oco

diz que o doido tem um buraco oco bem no meio das idéias
minhas idéias todas têm um buraco no meio doidas
.
mas nunca fico ôca e louca nem sou tão
maluco é quem não tem pra ocupar sua solidão
um coro de macaquinhos no sótão
hearingseeing.jpg

Dou-me ao luxo

kandins9640.jpg

confundo as marcas de carros
meu celular é o pior
acho a moda um mundo à parte
meus desejos são mais caros
meu ego consome arte
meu espírito, amor

kairos

Clock.jpganacrônica
arrítmica
analógica
meu agora é outro sempre ou quase
presente do subjetivo
qual seja
momento vivo
louco motivo
em movimento
tempo propício
entre o princípio
e o precipício
(inspirado por Marcelo P.)

resumo da ?a

opera_eugene_onegin.jpgnão quero o relato dos seus dias
me conte seus sonhos
que música ouviu
que idéias teve
se pensou em mim
se está a fim de dançar
do resto, me poupe.
detalhes, com roberto carlos

Ao Pai

Ser pai
é madrecer
no paraíso
Há que espairecer mas sem perder jamais
o juízo
.
meu infinito amor ao pai
e aos pais da minha vida.
chris.

* adonai

adonai.gifainda falta a palavra que tenha
a fome de artaud
a orelha de van gogh
o deserto de rimbaud
a echarpe de isadora
o silêncio de beethoven
a culpa do papa
a saudade do filho de buda
a solidão de ( * )
cujo nome ninguém escuta
.

chapl.jpgsmile.jpg
Quem ri quando cai no chão
Não pára de ir por nada
Se a vida só dá limão
Caipira uma gargalhada
.

redfeather.jpg
É só jogar um monte de palavras bonitas no papel
Depois ir arrancando uma a uma, sem pena
Até sangrar
.

esperan.jpgAndam me cobrando que dê mais as caras por aqui, mas sou muito indisciplinada. Estive pensando em outras coisas ou, sei lá, fiquei sem assunto, me perdoam? Continuo amando cada um dos gatinhos pingados queridos que me alegram com sua leitura mas não posso contrariar minha natureza indolente.
Contudo, num esforço de consideração comunicativa, vou dividir com vocês alguns momentos traumáticos por que passei recentemente, ainda que tal relato exponha minhas vulnerabilidades de caráter à execração pública.
Sim, porque quisera eu narrar aqui algum feito heróico, a conquista de um prêmio importante ou meu enriquecimento repentino, mas as novas que trago não são tão alvissareiras. Na verdade, trata-se da confissão de um ato vil:
Eu matei uma esperança!
E com requintes de sadismo, ainda que involuntário, se é que existe algoz inocente. Devo dizer em defesa própria que, se fui covarde, foi porque movida por um medo pânico, abissal.
Tenho pavor de esperanças, grilos, gafanhotos, louva-deuses e todos os demais membros dessa família, tanto quanto de baratas. Não que eles sejam nojentos como as cucarachas, pois até não são. Costumam vir da mata, de lugares limpinhos. Mas têm uma textura áspera, totalmente aflita, e pulam. Em geral, na minha direção. Não sei o que eles têm comigo, deve ser porque emito luz…
Uma vez, estando sozinha em casa e não querendo cometer inseticídio, olhei bem praquela coisinha verde e pensei o mais alto que pude: “Pessoas não comem esperanças e esperanças não comem pessoas, portanto não precisamos ser inimigas. Então vamos fazer um trato: Você não me ataca, eu não te ataco e viveremos felizes para sempre”.
Sabem qual foi a resposta da fofa ao meu anúncio de cessar-fogo? Lançou-se num salto diretamente para o meio da minha testa! Quando acordei da síncope, despejei meio tubo de Baygon em cima dela e fui dormir na casa da minha mãe, onde aliás moro até hoje, mas não por culpa da esperança, verdade seja dita. Talvez até por falta dela, mas isso já é digressão.
O fato é que não confio mais em esperança, nem adianta fazer aquela carinha de bicho-grilo. É ela ou eu.
Essa do outro dia ainda por cima era enorme, devia ser uma esperança-de-itú. A meio metro da minha cama.

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