(Este post ficará no ar durante todo o sarau e será atualizado à medida que forem chegando as contribuições. Deposite seu poema na caixa de comentários e sirva-se à vontade)
P.S. – Inverti a ordem dos poemas. Agora os recém-chegados estão por cima. O sarau está um espetáculo! Agradecidíssima pelas presenças e pelos poemas, repentes, micro-contos e demais inspirações. Beijos a todos.
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Por Tânia Lima:
Querida amiga Christiana,
Perdoa-me o tardar da hora.
Dizem os com mais sabedoria:
Antes tardar do que ficar fora.
Vim participar dessa festa e,
na verdade, honrou-me o convite.
Trouxe vinho branco geladinho
e uns petiscos pra quem tiver apetite.
Eu?
Contento-me com poesia…
Letras, doçuras, ritmo…
palavras soltas e sensíveis
até de quem acha que não deveria.
Talvez uma letra de música
de poetas consagrados…
em versos e melodias…
hummm….
seriam do meu agrado.
E como é um sarau de respeito,
trouxe também alguns quadros…
telas com pinceladas de amor,
que ao gosto de todos sujeito.
No mais
vou aproveitar a presença
de gente com sensibilidade…
Vou sentar-me aqui e alí
deleitando-me com seus amigos,
que sei, são de qualidade.
Um beijo grande…
abraços apertados…
às donas da casa
e a todos os convidados.
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Por Ligia Saboya:
PSICANÁLISE & PURPURINA.
A meus Psi Co-Analistas;
Não pretendo a caricatura,
nem o fiel da loucura
e timão;
O hematoma é condão do sonho,
requinte enfadonho,
fel padrão.
Lá quer seja a maré vigente
singro tenazmente por qualquer
milagre;
Pois coragem é cais intermitente,
já que da dor à frente
sequer
Deus sabe.
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Por Ligia Saboya:
Vi Marte a olho nu!
Para Christiana Poeta Nóvoa
Para todo humano ato palmo a palmo cometido
urge que a ele se ate exato ou sensato sentido;
pois soa a palavra por tímpanos, às vezes, submetidos
a sotaque orquestrado por surtos de adjetivo.
Se a Deus ou ao Diabo se deve lato e stricto quesito,
a penas e adrede duela versus verbo o substantivo;
mas irrequietos provérbios de condão intelectivo
hão de açoitar as sentenças de caráter defectivo.
Sequer não existe pragmática para léxico irreflexivo,
quer seja a prosopopéia a expensas do eruditismo.
Nem cabe à metáfora indulto a verbetes desabridos,
pois não aventa a gramática tratados subversivos.
Por essas e outras me escalpo ante saraus redivivos
e rudemente enfronho meus poemetos em arquivos.
Não há antídoto nem prótese para prolapsos do siso,
profético e egrégio espião que pontualmente cativo.
Quis da rima casta e heráldica, quis de seu líquen detrito.
Quis a linguagem ambidestra para sublime delito.
Quis privar da gala fóbica como mártir concluído.
Quis ser morosa placenta desse mundo, e de outros idos…
Mas desta miragem e soberba fretei o milagre escandido,
e à unha não enfrento o touro, nem fruo o fruto maldito.
Somente me adejo frondosa no silêncio mais altivo
em meio ao remanso ímpar de meus ímpares amigos.
Sob as vésperas do tempo como se lume entretido
aguardo o inato momento em que enfim desguarnecido
rabisque meu corpo poesia de alcance intransitivo
e fragmente-se vasto contra o prisma argüido.
E então vou flanar ao relento de motes sem imperativo,
quiçá como cata-vento de sonhos não concebidos;
E por lampejos de brisa vou cochichar sem pruridos
por teus caracóis o segredo do gesto que acende o infinito…
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Por Tita Aragón:
Neurônios desencontrados
Tenha cuidado
Onde pisa
Você pode estar andando
No lado errado da vida
Se não puder fazer
Não prometa
Não minta
Não faça
Não alimente
Falsas alegrias
O que tiver de ser
Vai acontecer
Mesmo que de um jeito
Completamente
Diferente
Porque as pessoas
E as coisas
Nunca são
O que parecem
Deixe de lado
O medo
Os bloqueios
Seja honesto
Com você mesmo
Não desdenhe
Não julgue
Não finja
Não se deixe levar
Por águas desconhecidas
O tempo sempre vai dizer
Seja inteiro
Seja leve
Seja sempre
Não dói.
.
Por Cynthia Feitosa:
Pra réponder, sil me plaît
É o que ordena a educação
Mas meu verso, e seu pobre pé
Quebrado gritam que não
Como sair da esparrela ?
Pensei, e só achei um meio
De pular fora da panela
Sem fazer um papel muito feio
Serei, como os deputados,
“relativamente” honesta :
Confesso não ter predicados
Pra participar da festa
Mas direi isso rimado
Pois sou ruim, mas não sou besta.
.
Por Dal:
RISO FALSO
Deixei a solidão me levar pelo mar,
Pela mão,
E encontrei tanta gente na rota,
Gente triste,
Gente nua,
Gente rota,
Que, aos poucos, o sorriso esgarçado
Que eu usava no início do jogo
(era um jogo)
Se mostrou estar longe do porto,
Se mostrou estar preso a amarras,
Se mostrou ser bem mais um estrago
Ser tão só um grande rombo na face,
Um escárnio.
.
Por Roman:
Réplica
Dizer o todo é maior que as partes
é apenas parte do todo, por assim dizer.
O todo oprime, reduz, produz descartes,
do modo que melhor lhe apetecer.
Onde está o gás dos elementos,
do H e do O depois de água feitos?
Sucumbiu pelo rijo adestramento,
simples rejeito no elemento liquefeito.
O todo ser maior que as partes é um meio engodo:
as partes podem ser e são também,
maior que o continente, que é o todo,
pelo século dos séculos, amém.
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Por Dal:
O POEMA DO FANHO
(O ‘OEMA ‘O ‘ANHO)
‘inha ‘miga ‘hristiana
‘u ‘dorei ‘eu ‘arau
‘en ‘anta ‘ente ‘acana
E ‘ada ‘erso ‘egal!
‘ou ‘alar ‘rá ‘odo ‘undo
O ‘ue eu acho de ‘rasília:
É uma ‘orja de ‘afados,
De ‘achorro, uma ‘atilha!
Eu ‘enso ‘ue ‘oda ‘essoa
‘eja ‘olítico ou ‘ão
‘eve ter a ‘alma ‘oa
’em CPI, ‘assação.
Eu ‘inha ‘anta ‘oesia
‘rá ‘olocar ‘o ‘eu ‘log
Mas ‘ensalão, e ‘PI
‘ssa ‘ente só me ‘ode!!!
“ó não ‘osto do ‘ue ‘ejo
No ‘osso ‘uerido ‘rasil
‘uita ‘aca e ‘ouco ‘ueijo
‘a prá ‘uta ‘ue ‘ariu!
‘á ‘om, eu ‘ão ‘alo ‘ais
‘alavrão, ‘ê me ‘esculpa
‘omo as ‘essoas ‘ormais
‘deio esses ‘ilhos da ‘uta…
.
Por Ligia Saboya:
Patrícia, Dal, e à dona do Sarau;
feras na inspiração da rima
e na rima da inspiração!
Seus poemas têm sabor e “gosto de quero mais”;
voltem à cena, perdurem neste varal:
pois não há noite que decline
nem sol que se subestime
pra versos de convicção!
Parabéns ao trilegal trio legal!
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Por Flavio Prada:
Hoje comi um bife
Fiquei pensando em você
Não um bife pequeno
Você estava linda
Um bifão
Com bastante fritas
E aquele olhar matreiro
Não estavam encharcadas
Desejo, puro desejo
Sequinhas
Molhada
Arroz também
Você dançava, nua
Tudo bem soltinho
Querendo me amar
Delícia
.
Por Ligia Saboya:
SE ME DEIXAS,
vou embrenhar-me por matos/ e matar cachorro a grito/
pichar muro em desacato/ aos títeres do teu partido/
e alardear inclemente/ que tens aftas/ joanete/
dois pivôs fosforescentes/ e um ronco ímpio e cacete.
E invento que foste parido/ por mal afamada senhora/
e sempre teúdo e mantido/ por bens meus sob tua penhora/
porque são teus sonhos carnudos/ teus beijos irreversíveis/
e que teu corpo desfruto/ como a mais audaz das virgens.
Pois me ata teu dom esquivo/ de me arregaçar alma e ancas/
às vezes num tique dorido/ às vezes em trejeito pilantra/
depois cheiras a manso ranço/ e a combalido capim/
e além, em meu ventre destranço/ teu longilíneo estopim.
Se me deixas, te enveneno/ e embarco pra orgias na Estônia/
ou em gamelas te dreno/ e assim te acocho as vergonhas/
e pela janela atiro/ teu tênis de marca/ e gibis/
e jogo na lata de lixo/ a coleção de vinil.
E deduro pros amigos/ a origem do nosso uísque/
demito a tenaz passadeira/ e armo um disse-não-disse/
mando um fax sem eira nem beira/ e um e-mail ao teu patrão/
e sem dúvidas que o conquisto/ pra meu amante e peão.
Porém se ficas comigo/ te poupo sono e fricção/
e te serei toda ouvidos/ quer seja o fardo credor/
e esqueço de ver novela/ e aprendo crochê e tricô/
e te preparo a vitela/ da amásia do teu trisavô.
Mas se te escafedes me excedo/ mijo fora do penico/
e ao rastro de teus voejos/ gorjeio orgasmos proscritos/
e, enfim, se me deixas, encapelo/ e ao leito vou de borzeguins/
e emplastro em ti como farelo de empada de botequim…
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Por Daniela Caride:
Não sou perfeita
Não sou maravilhosa
Não sou carinhosa o tempo todo
Nem inteligente o tempo todo
Sou carente sim
E daí?
Sou relutante
Sou de rompantes
Sou de tempestades
Também sou de maldades
Sou de tolices
E babaquices
Sou de chatices também
E de mesmices
E eu sei que você me disse
Mas eu sou de teimosia
Às vezes de apatia
Às vezes sou sombria
Até mesmo fria
Mas também não sou muito chata
Nem muito careta
Não sou de muita birita
Nem de muita manha
Sou estranha sim
Sou estranha
Mas já disse
Não sou perfeita
Sou isso aí que se apresenta
Daniela Caride
Quase sempre sujeita
Quase nunca predicada
Quase nunca satisfeita
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Por Sergio Leo:
Não são névoas
esgarçadas
por pessoas apressadas
Será neve,
tropical?
Só no shopping,no Natal.
Talvez nuvens
alto astral,
espumas de Carnaval?
São as Nóvoas,
níveas Nóvoas,
com essa nova.
Genial.
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Por Elenara Iabel:
“aqui tens meu coração
e a chave para abrir;
Não tenho mais o que te dar
nem tu o que me pedir”.
Simões Lopes Netto
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Por Christiane Jatahy:
Esse sarau faz graça
mas tá um pouco confuso
não sei quando é a hora
e muito menos o dia.
Vai ver que a idéia é essa.
Cada um faz um verso
mas só convidam o cara
que acertar a rima.
Ih, dancei!
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Por Dal:
Dizem que o versejador
Finge tão completamente,
Que finge saber que é dor
A dor que o malandro sente.
Legal! Para ganhar a aposta
Poderei fingir também,
Então, se você não gosta,
Finge que sim, diz amém!
Agora, roubar do Pessoa
Só prá botar no sarau,
É malandragem da boa!
Por favor, não leve a mal…
Eu prometo que me curo,
E tento a regeneração,
Busco a musa no escuro
Dentro do meu coração.
Se eu não achar, paciência!
É bem melhor ficar mudo,
Porque poesia é excelência,
É dor, é paixão, é tudo!
.
Por Herbert Farias:
Eu queria estar por lá
no alcance desse sarau
talentos a dar com pau
garanto ali não faltar
mas por aqui vou ficando
– além do trampo, a distância –
relendo essa venturança
que a Chris postou por encanto
.
Por Vera Araújo:
Um Sarau é benvindo
quando se quer versejar
nesse encontro estou indo
jogando as palavras no ar.
A data pode ser agora
ou a qualquer hora
com todo o respeito
o convite já foi aceito.
Christiana é gente boa
não gosta de ficar à-toa
sacode a poeira do tempo
e recolhe os amigos no vento.
Agradeço a acolhida
nesse caloroso Sarau.
Volto pra roda da vida
minha estimada amiga.
Num afeto vai um beijo
com outro vai um queijo
com uma taça de vinho
vai brinde com carinho.
.
Por Flavio Prada:
Quem ainda, anda
vai à frente,
Deixa de parar,
Despara.
Porém ao correr,
Dispara
E quando diz: paro, pára.
Por isso disparo, bala.
Então quem a bala abala
É alvejado
Pois abalar o disparo
É parar o desabalo,
É incorporar chumbo,
Ser alvo,
Branco,
Límpido e morto,
Inabalável.
.
Por Luiz Biajoni:
“tens aí algum trocado, amigo?”
perguntou o menino sapeca
de rua. “não, tou a perigo!”,
respondeu o outro com tudo na cueca!
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Por Clarice De Marco:
Fruto proibido
Essa gente da cidade
não sabe comer maçã,
perde tempo com a casca
semente e lavação.
Bom mesmo e lá na roça
tira-se a fruta do pé
e sem frescura se come
com casca e poeira até.
.
Por Nelson Moraes:
O meu da reta eu não tiro
Ainda mais pr’esse convite
Mas conheço meu limite
Sei até onde me viro
Meus versos não vão adiante
Nem chegam a vossos pés
Pois não passa aqui do convés
O talento deste almirante
Mas vou além da Taprobana
Para sentar e admirar
O talento da Christiana!
.
Por Hugo Leal:
Christiana, minha querida,
também chamada de Cris,
garota cheia de vida,
sem medo de ser feliz,
fiquei deveras honrado
com tanta consideração
ao me saber convidado
apesar de escrever mal
para dar o meu recado
no que chama de sarau.
Como posso estar à altura
De gente com a cultura
Daquela que vi no blog?
A não ser que monologue
Versejando sem sentido
Não vejo como botar-me
Com o mesmo prumo e rumo.
Poeta fraco, eu assumo
como virtude a fraqueza,
e faço dela, em resumo,
minha força na loucura
do princípio da incerteza,
a mostrar que minha feiúra
Também tem sua beleza…
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Por Dal:
Depois de ter lido o Juca.
E degustado a Maria Helena,
Só mesmo se for maluca
Prá querer meter a pena!
Eu vou dizer um ditado
E prestem muita atenção
Mais vale um cuecão recheado
Do que qualquer mensalão!
Agora que eu já entrei
Na CPI que desnuda
Toda cabeça de rês,
Seja careca ou peluda,
Só tem um jeito prá mim
Se eu quiser que caiam fora:
É só cortar o capim
Laça, arreia, e manda embora!
Porque, lá em Minas Gerais
(terra de gente batuta)
Ninguém já não agüenta mais
Essa corja de fia’ da fruta!
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Por Ricardo Canan:
Maria Helena faz campanha
um tanto quanto esquisita.
Se Candido for,
Marcelo D2 não ganha.
Mas com certeza pita,
cigarrinho de forte odor.
Já o problema do cabelo,
não é bem do candidato;
é, sim, do tesoureiro.
Com cabeça nua, mas sem pêlo,
vai auxiliar no mandato,
a cuidar do dinheiro.
Na campanha de Marcelo D2,
posso imaginar Dudu Nobre,
como responsável pela panfletagem.
Se nele votar, não reclame depois,
quando sentir-se mais pobre,
de novo enganado pela malandragem.
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Por Maria Helena Nóvoa:
O nosso amigo Ricardo,
bastante preocupado
com a crise nacional,
detectou o que liga
o jovem Marcos Valério
ao velho PC Farias,
ao menos no visual:
Sugeriu (tremo ao dizê-lo)
uma relação causal
entre a falta de vergonha
e a falta de cabelo.
Isso é maldade de macho,
carecas têm seu ibope
e mulher não pensa assim.
Mas tenho que confessar:
sou mais Jandira Feghali
que Esperidião Amin
embora não advogue
probidade capilar.
Porém, se a tese do amigo
tiver qualquer fundamento,
quero aproveitar o ensejo
e não deixar pra depois:
Nem Serra, nem Garotinho,
nem Lula em 2006.
Pra renovar o Planalto,
voto no Carlinhos Brown
ou no Marcelo D2.
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Por Juca Filho:
Já mandei para o espaço o embaraço
vou tentar , sendo assim, grande proeza
e buscar igualar esta beleza
que me chega das Nóvoa magistrais,
e, acessando meus dotes tão banais,
por vaidades escusas inspirado,
procurar responder ao seu chamado,
evitando ceder ao monossílabos,
iludindo com toscos decassílabos
no estilo martelo agalopado.
O meu dom é chinfrim, ponha de lado,
o meu tom é ruim, deixe de banda,
compreenda que cumpro uma demanda,
pra não ser, pelas Nóvoa, esconjurado,
devo alguma resposta ao meu passado
onde, em golpe de sorte, criei fama,
pra depois ficar só quieto na cama
produzindo a continha pra viver,
porque o sono é melhor que o escrever,
quem duvida, pergunte ao Dalai-Lama.
Considero-me um simples papa-grama
de bridão, ferradura, orelha em pé,
nunca fui, por Jesus de Nazaré,
estilista de prosa, verso ou drama,
tal menino que faz xixi na cama
ou um beque chutando pra escanteio,
solto o verbo na doida e, lá no meio,
por milagre de Deus, Vige Maria,
sai um troço que dizem que é poesia
e eu, de esperto que sou, finjo que creio.
Pois então vou cessar com o aperreio
pondo fim de uma vez a este suplício
e obrigando a postar este estrupício
estas moças, que nunca fazem feio,
a quem peço, considerar no e-mail
já cumprido o dever e minha meta
e não venham me nomear poeta
que eu garanto fingir que nem ouvi,
e, que nem deputado em CPI,
negar tudo e tirar o meu da reta.
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Por Flavio Prada:
O lâmbda e o ômega
Onça galática
De estranha combinação
Pirâmide cúbica
Megawática
Estática constelação
O alfa e o romeo
Gaiola prismática
De mera ostentação
Acorrentado Prometeu
Leva prostática
Errática satisfação
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Por Pecus:
Declino o amável convite
Jogado longe da meta
Posso te dar um palpite
Aonde encontrar um poeta?
Procure o Jayme Serva
No dito assim.blogger
Que paira sobre a caterva
Com suas precisas estrofes
Esse sim vale a pena
Esse sim faz poema
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Por João Noronha:
Se voce acha que eu não vou não
Você tá sendo pessimista
Esse aqui é o João
Que tá de volta na pista!
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Por Ricardo Canan:
De verso e reverso em Brasília,
Não resulta coisa boa,
Vou fugir p’ruma ilha,
Ou vou’membora pra Lisboa.
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Por Flavio Prada:
A inversão é tal que o universo que é grande à beça
Está todo dentro de minha cabeça,
ainda que não me obedeça.
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Por Herbert:
E os tetos faziam sangrar os pés de todos, até quem nunca teve telhado de vidro.
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Por Christiana Nóvoa:
Riquezas são diferentes
Ser artista é a vitória última
Do ouro íntimo sobre a pobreza
Do gozo crônico sobre a penúria
Do luxo terminal sobre o fim
Em meio à praça de guerra, um jardim
Terra desolada da beleza solitária
Aos ricos, sou solidária:
A paixão, a fome e a morte
Nos irmanam na miséria
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